Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 27 de janeiro de 2026
Faltando pouco mais de um mês para a divulgação dos resultados do Produto Interno Bruto (PIB) de 2025, um dos principais indicadores econômicos do país, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) enfrenta novos desdobramentos da crise interna que opõe parte do corpo técnico ao presidente da instituição, Marcio Pochmann.
Após a direção do IBGE afastar do cargo de coordenadora de Contas Nacionais a pesquisadora Rebeca Palis, há cerca de uma semana, ao menos três servidores da divisão responsável pelos cálculos do PIB deixaram seus cargos de chefia. Segundo funcionários do instituto, as baixas podem afetar prazos de revisões metodológicas e projetos em andamento.
Um dos primeiros a deixar a função foi Cristiano Martins, gerente de Bens e Serviços do IBGE, apontado internamente como substituto natural de Rebeca. Ele pediu desligamento dos dois cargos que ocupava em solidariedade à ex-coordenadora. Na sequência, também entregaram seus postos Claudia Dionísio, gerente das Contas Nacionais Trimestrais, e Amanda Tavares, gerente substituta da área. Com isso, a liderança de uma das divisões mais estratégicas do IBGE perde alguns de seus profissionais mais experientes.
Rebeca Palis acumulava 11 anos à frente da coordenação de Contas Nacionais. Ela assumiu a função após substituir Roberto Olinto, que deixou o cargo para se tornar diretor de Pesquisas e, posteriormente, presidente do IBGE. Ao longo dos anos, Rebeca foi considerada uma das principais referências técnicas da área, e sua nomeação, em 2014, foi vista internamente como um movimento natural diante de sua trajetória profissional.
Apesar da debandada nos cargos de chefia, os servidores desligados continuam atuando no instituto e na área de Contas Nacionais, por serem funcionários concursados, mas sem exercer funções gerenciais. Segundo técnicos que acompanham a situação e pediram para não se identificar, o cálculo do PIB trimestral segue transcorrendo normalmente até o momento.
Essas mesmas fontes avaliam que a exoneração de Rebeca pode ter sido uma represália à atuação de gerentes e coordenadores que assinaram uma carta crítica à gestão de Pochmann. O documento, divulgado em meio à crise que se arrasta desde 2024, questiona decisões administrativas e a condução institucional do órgão.
O que diz a direção do IBGE
Em nota, o IBGE informou que o servidor Ricardo Montes de Moraes assumirá a coordenação de Contas Nacionais. Ainda não foram anunciados os substitutos para os demais cargos vagos, mas o instituto afirmou que o plano de trabalho e o cronograma de divulgações serão cumpridos integralmente.
Mesmo assim, segundo funcionários, as exonerações impõem desafios adicionais à equipe, especialmente diante da divulgação do PIB de 2024, marcada para o dia 3 de março. Está em andamento a atualização do ano-base do Sistema de Contas Nacionais, que deixará de ser 2010 e passará a ser 2021.
O processo envolve a revisão de metodologias, a incorporação de novas bases de dados e a atualização de séries históricas, etapas que podem ter seus prazos comprometidos, segundo servidores. O sindicato que representa a categoria, a Assibge, criticou o afastamento de Rebeca neste momento.
“Nesse contexto, uma mudança de coordenação em pleno curso desse processo deveria ter sido conduzida de forma mais cuidadosa, independentemente da qualificação do servidor que ocupará o cargo, com transição previamente delineada e diálogo institucional com a então coordenadora, Rebeca Palis”, afirmou o sindicato em nota.
A entidade também alertou para possíveis impactos na revisão do Manual Internacional de Contas Econômicas e Ambientais, da qual Rebeca participava como integrante de um grupo de especialistas que representava o Brasil.
Insegurança
O ano passado foi marcado por afastamentos e pedidos de exoneração no IBGE, em meio às divergências entre o corpo técnico e a atual gestão. As recentes saídas nas Contas Nacionais se somam a desligamentos ocorridos em outras áreas, como a Comunicação Social, onde gerentes foram substituídos por servidores recém-ingressos no instituto. Também houve exoneração de uma bibliotecária após questionamentos à gestão.
(Com O Globo)