Sábado, 17 de Outubro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 17 de outubro de 2026
No artigo da semana passada mencionei a aversão histórica da esquerda, do PT e de Lula contra a economia de mercado, contra a iniciativa privada.
Há exemplos que trazem em si algo de patético, como é o caso dos conceitos de mérito, eficiência, produtividade. Cada um deles, para certos setores da esquerda (principalmente na academia) são fórmulas imaginadas pelos patrões para melhor explorar os trabalhadores.
É claro que se trata de um exagero. Mesmo nas economias centrais e planificadas, o conceito de produtividade permeou as atividades produtivas. Mesmo no socialismo real, sempre se perseguiu produzir os bens e riquezas, gastando o mínimo de esforço e insumos para obter o máximo de resultado.
Mas nos dias de hoje essa é uma lei férrea de quase todo teórico da esquerda: mérito, produtividade, só aumentam o sofrimento da classe trabalhadora e a conta bancária dos donos do capital.
Acontece que uma larga faixa do eleitorado brasileiro não leva essas considerações a sério, e querem prosperar, ganhar dinheiro, ficar ricos. E o caminho honesto para esse objetivo é criar seu próprio negócio, correr os riscos da atividade privada.
É a noção de empreendedorismo, palavra que nos meios lulopetistas evoca a luta de classes , onde o patrão (o empreendedor) é o explorador.
No ínterim, entretanto, milhões de brasileiros, em pesquisas acreditadas (inclusive uma do próprio PT), dizem preferir a autonomia, a liberdade de empreender, de abrir negócio – querem distância do estado, a quem atribuem um papel espoliador (através dos impostos) e parasitário.
Esse vasto contingente foi inteiramente desprezado pelo governo Lula. Fora um ou outro programa – num governo que é pródigo em apresentar programas, mas aos quais não dá sequência e por isso não apresentam os resultados esperados – o governo Lula mal deu bom dia para essa gente. Nem para uma palavra de consideração e apoio.
Como anotei da coluna anterior, são 13,5 milhões de MEIs (microempreendedores individuais), pessoas jurídicas de todas as categorias, que não mereceram nenhuma atenção do atual governo.
Um público que estava ali, à mão, para ser focado em certas ações do governo, mas ninguém nos 40 ministérios de Lula se lembrou dele. Esse exército de mão de obra disponível, esse agrupamento de milhões de brasileiros, votaram maciçamente em Flávio Bolsonaro.
Enquanto isso, Lula e o PT insistiam na campanha em velharias teóricas, incapazes de ver e tomar em conta o que estava debaixo dos seus narizes. Continuava nas velhas soluções de incentivar o consumo – o que não era sustentável – e tinha o efeito danoso de endividar as famílias, provavelmente até mais do que as bets e a jogatina.
Milhões desses eleitores, lá atrás, em outros embates eleitorais, já sufragaram com entusiasmo e esperança o nome de Lula. Agora, estão perfilados na candidatura de Flávio Bolsonaro. Enjoaram das promessas, cansaram de Lula e dos seus discursos de auto elogio, e do “nós contra eles”. Estão de braços dados não com uma candidatura que entusiasme, mas com única alternativa que eles enxergam.
* Tito Guarniere (Contato: titoguarniere@terra.com.br)