Sexta-feira, 10 de Julho de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 30 de maio de 2022
Um ex-assessor parlamentar que fez acusações contra o vereador carioca Gabriel Monteiro (PL) morreu na noite de sábado (28) em um acidente na rodovia estadual RJ-130, que liga Teresópolis e Nova Friburgo (Região Serrana do Rio de Janeiro). O veículo de Vinícius Hayden Witeze capotou, mas a mulher que estava junto a ele sobreviveu.
De acordo com a Polícia Civil, uma perícia realizada no local indica como provável causa do acidente “a perda do controle da direção pelo motorista ao adentrar em uma curva”. A corporação também informou que a sobrevivente foi ouvida e descartou possível intervenção de terceiros. O caso é investigado por uma Delegacia de Teresópolis.
Monteiro é ex-policial militar e acumula mais de 6 milhões de seguidores no site de vídeos Youtube.com. Foi o terceiro vereador mais votado do Rio nas eleições de 2020, com mais de 60 mil votos então pelo PSD.
Pesam contra ele acusações por diversos assédios morais e sexuais, tendo inclusive virado réu por um vídeo em que aparece fazendo sexo com uma adolescente, dentre outros crimes. O processo aberto contra ele na Câmara Municipal carioca no início de abril pode levar à cassação do mandato.
Relato de ameaças
Na quarta-feira (25), ameaças de morte haviam sido relatadas por Hayden em depoimento ao Conselho de Ética da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, onde Monteiro é alvo de um processo ético-disciplinar.
Na ocasião, o ex-funcionário chegou ao prédio no centro do Rio vestindo colete à prova de balas e acompanhado por uma escolta. Membro do conselho, o vereador Chico Alencar (PSOL) cobrou nas redes sociais que as circunstâncias do acidente sejam rigorosamente apuradas.
“O esclarecimento pleno e rápido dessa tragédia também reduzirá os temores de testemunhas a serem ainda ouvidas. As duas primeiras que depuseram no Conselho de Ética, o próprio Vinícius e [o também ex-assessor] Heitor Nazaré Neto, relataram, como é sabido, ter recebido ameaças, inclusive de morte”, escreveu.
“É difícil acreditar que aquele jovem articulado, que nos passou franqueza e não escondeu emoção quando falava de sua situação de vida, já não esteja entre nós”, continuou o político.
Pedido de reforço na segurança
Na noite deste domingo (29), a vereadora Teresa Bergher (PSDB), presidente da comissão, divulgou nota afirmando que, na última sexta-feira (27), Hayden telefonou para seu gabinete pedindo que a Casa disponibilizasse segurança a ele.
A parlamentar contou ter chegado a fazer a solicitação ao presidente da Câmara, Carlo Caiado (DEM), mas o procurador da Casa, José Luis Galamba Minc, lhe explicou que seria necessário um ofício das testemunhas.
“[Vinícius Hayden] ficou de entregar o documento nesta segunda-feira [30], mas, infelizmente, não teve tempo. É tudo muito triste, muito chocante e estranho. Vamos aguardar a perícia no carro”, declarou Bergher.
Já Gabriel Monteiro publicou que “jamais torceria por esse fim”, prestou solidariedade aos pais de Hayden e voltou a dizer que o ex-funcionário forjou provas contra ele. O vereador afirma que é vítima de uma máfia dos reboques que denunciou recentemente.
“Quem me conhece sabe que não desejo mal a ninguém. Meu ex-assessor que tinha sido pego oferecendo R$ 600 mil a outro assessor para forjar provas contra mim. Que foi flagrado junto com o “zero-dois” da máfia do reboque. Morreu em um acidente. É triste demais. Jamais torceria por esse fim!”, postou, emendando em seguida:
“Após tentarem me forjar em estup**, ped*f!ias, assédios, e mil outros crimes. Vão falar que eu o matei. De coração, que ele esteja com Deus. Imagino a dor dos seus pais, pessoas maravilhosas”.