Sexta-feira, 29 de Agosto de 2025

Home Mundo Ações afirmativas para negros viram alvo de Trump em escolas nos Estados Unidos

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A cidade de Chicago, nos Estados Unidos, tem servido como um campo de testes para algumas das principais ideias da esquerda sobre raça e educação.

Redes escolares na cidade e em subúrbios próximos estão se esforçando para contratar mais professores negros, ampliar o ensino de história negra e treinar docentes em conceitos como privilégio branco.

Algumas dessas políticas já mostraram resultados consistentes na melhoria da aprendizagem, enquanto outras ainda carecem de evidências. Mas, para o governo do presidente americano, Donald Trump, tudo isso pode ser ilegal.

Agora, distritos escolares com programas voltados para apoiar estudantes negros e outros grupos se veem vulneráveis juridicamente.

A Casa Branca vem revertendo o papel tradicional do governo federal em relação a raça e educação, atacando o que chama de “D.E.I. ilegal” (sigla para diversidade, equidade e inclusão).

O governo tem usado o Escritório de Direitos Civis do Departamento de Educação, criado para proteger minorias raciais e étnicas, para tentar encerrar programas destinados justamente a esses alunos.

Por meio de decretos, investigações e ameaças de cortar financiamento, o governo colocou na defensiva um movimento que já foi bipartidário e buscava enfrentar o legado da escravidão e do racismo. Até mesmo estados de inclinação republicana, como Flórida e Mississippi, têm programas de recrutamento de professores voltados a diversificar a força de trabalho — iniciativa que o governo Trump chama de ação afirmativa ilegal.

Há 20 anos, pesquisas demonstram que estudantes têm melhor desempenho acadêmico quando seus professores compartilham elementos de sua identidade racial, cultural ou linguística. Além disso, especialistas, formuladores de políticas públicas e pais têm manifestado preocupação com a falta de modelos masculinos diversos, o que se conecta às dificuldades enfrentadas por meninos na escola e na saúde mental.

Nos últimos anos, porém, conservadores passaram a defender com mais força políticas “daltônicas”, que não consideram raça. Agora, advogados do governo Trump argumentam que, quando escolas direcionam recursos a grupos raciais historicamente desfavorecidos, estariam discriminando aqueles que sempre estiveram à frente.

O impacto dessa reversão é mais evidente no estado americano de Illinois. O Departamento de Educação anunciou investigações contra dois dos sistemas escolares mais proeminentes do estado, em Chicago e em Evanston, acusando-os de violar a lei ao concentrar esforços de melhoria escolar em crianças não brancas.

Conservadores esperam que esses casos estabeleçam precedentes que se espalhem por escolas e outras instituições em todo o país.

Kimberly Hermann, presidente da Southeastern Legal Foundation, grupo conservador que moveu ação judicial e apresentou denúncia federal contra o distrito escolar de Evanston, reconheceu que muitos líderes educacionais acreditam que programas com recorte racial ajudam estudantes em desvantagem.

Neste ano letivo que inicia entre agosto e setembro, as Escolas Públicas de Chicago lançarão o chamado “Plano de Sucesso do Estudante Negro”. O programa prevê dobrar o número de professores negros contratados até 2029, reduzir punições disciplinares contra estudantes negros, expandir o ensino de história afro-americana e aumentar a matrícula de alunos negros em cursos avançados.

Sarah Parshall Perry, vice-presidente do grupo conservador Defending Education, que entrou com queixa federal contra o plano, argumenta que, ao focar demais nos estudantes negros, Chicago corre o risco de ignorar as necessidades de outros grupos, como os hispânicos. Estudantes negros representam 34% da rede, enquanto hispânicos são quase metade.

“Eu acho que muitas dessas escolas têm boas intenções, mas estão mal orientadas”, disse Perry.

Dados estaduais mostram que estudantes hispânicos têm desempenho ligeiramente melhor que os negros em testes padronizados e são mais propensos a frequentar aulas avançadas. Mas ambos os grupos estão bem atrás de colegas brancos e asiáticos.

 

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