Sábado, 10 de Janeiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 9 de janeiro de 2026
A União Europeia deu aval para o acordo comercial com o Mercosul após 26 anos de negociações. O texto, que será assinado no dia 17 de janeiro e ainda depende de aval do Parlamento Europeu e de regulamentações complementares, prevê a eliminação gradual de tarifas sobre cerca de 91% do comércio entre os blocos e pode ampliar o acesso de produtos brasileiros, especialmente do agronegócio, ao mercado europeu.
Negociado desde 1999 e destravado politicamente no fim de 2024, o tratado cria as bases para a maior área de livre-comércio do mundo, envolvendo cerca de 700 milhões de pessoas. Para o Brasil, o acordo vai além da abertura de mercado e passa a ser um instrumento de diversificação comercial, atração de investimentos e integração a cadeias globais de maior valor agregado.
Segundo a Comissão Europeia, o acordo elimina tarifas de importação sobre cerca de 91% das mercadorias comercializadas entre os dois blocos, com liberalização gradual e prazos mais longos para setores sensíveis.
Hoje, produtos brasileiros enfrentam tarifas elevadas no mercado europeu e, do lado oposto, bens industriais europeus entram no Mercosul com alíquotas que chegam a 35%, no caso de automóveis, e até 20% em máquinas e químicos. O acordo reduz essas distorções e busca eliminar também barreiras não tarifárias, como exigências técnicas e procedimentos considerados excessivamente complexos.
“Para a UE, fechar esse acordo é uma forma de diversificar riscos e reduzir dependências em um cenário global cada vez mais instável”, avalia o especialista em comércio exterior Jackson Campos. “Já para o Mercosul, é uma chance de ganhar previsibilidade e relevância estratégica, ainda que isso venha acompanhado de concessões duras. É vantajoso para os dois lados, especialmente quando se analisa o momento atual das negociações globais”.
Articulação do Brasil
O tratado ganhou tração no fim de 2024 com maior articulação diplomática do governo Luiz Inácio Lula da Silva e apoio de países europeus com forte interesse exportador, como Alemanha e Espanha.
O contexto internacional também foi decisivo. A retomada de políticas protecionistas e tarifas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, reforçou o discurso europeu e sul-americano em defesa do comércio baseado em regras. Para Bruxelas, o acordo também responde ao avanço da China como principal parceiro comercial da América do Sul.
“Para a União Europeia, o tratado tem peso estratégico ao diversificar parceiros comerciais, reduzir a dependência da China e oferecer maior previsibilidade em um cenário global mais protecionista”, pontua a analista Sol Azcune, da XP.
Impacto direto
A União Europeia já é um dos principais destinos das exportações brasileiras, mesmo sem o acordo em vigor. Em 2025, as exportações agropecuárias brasileiras ao bloco somaram US$ 22,89 bilhões.
Alguns destaques:
• Carne bovina: US$ 820,15 milhões exportados, alta anual de 83,2%;
• Café verde: principal mercado externo, com US$ 6,43 bilhões;
• Complexo soja: quase US$ 6 bilhões;
• Celulose: US$ 1,98 bilhão, com a UE como segundo maior destino;
• Carne de frango: US$ 457,99 milhões.
O acordo prevê redução ou eliminação de tarifas para carnes, açúcar, etanol, café, suco de laranja e produtos florestais, o que pode ampliar a competitividade brasileira em um mercado de alto poder aquisitivo e maior previsibilidade institucional.
O impacto sobre as empresas brasileiras, no entanto, deve levar tempo. “Não vai ser do dia para a noite, é uma coisa mais estrutural, de longo prazo, porque a aplicação tende a ser um pouco lenta, morosa”, explica Matheus Spiess, estrategista da Empiricus Research. “Mas, ao longo do tempo, a gente deve começar a colher os frutos, apesar de toda a resistência de alguns setores europeus.”
Além do agronegócio
O texto do acordo não se limita ao comércio de bens. A Comissão Europeia destaca avanços em:
• Serviços financeiros, telecomunicações, transporte, serviços empresariais e manufatura;
• Investimentos, com redução de discriminação regulatória;
• Compras públicas, permitindo que empresas brasileiras concorram em licitações europeias em condições mais transparentes.
Para o Brasil, isso abre espaço para integração industrial e prestação de serviços com maior valor agregado, reduzindo a dependência de exportações primárias no longo prazo.
O acordo também inclui um capítulo específico para pequenas e médias empresas, com compromissos de transparência regulatória, facilitação aduaneira e acesso à informação. A Comissão Europeia reconhece que barreiras comerciais afetam desproporcionalmente empresas menores, o que tem impacto direto também sobre exportadores brasileiros de menor porte. Com informações do InfoMoney e Agência Brasil.
Por Redação Rádio Pampa | 9 de janeiro de 2026
A União Europeia deu aval para o acordo comercial com o Mercosul após 26 anos de negociações. O texto, que será assinado no dia 17 de janeiro e ainda depende de aval do Parlamento Europeu e de regulamentações complementares, prevê a eliminação gradual de tarifas sobre cerca de 91% do comércio entre os blocos e pode ampliar o acesso de produtos brasileiros, especialmente do agronegócio, ao mercado europeu.
Negociado desde 1999 e destravado politicamente no fim de 2024, o tratado cria as bases para a maior área de livre-comércio do mundo, envolvendo cerca de 700 milhões de pessoas. Para o Brasil, o acordo vai além da abertura de mercado e passa a ser um instrumento de diversificação comercial, atração de investimentos e integração a cadeias globais de maior valor agregado.
Segundo a Comissão Europeia, o acordo elimina tarifas de importação sobre cerca de 91% das mercadorias comercializadas entre os dois blocos, com liberalização gradual e prazos mais longos para setores sensíveis.
Hoje, produtos brasileiros enfrentam tarifas elevadas no mercado europeu e, do lado oposto, bens industriais europeus entram no Mercosul com alíquotas que chegam a 35%, no caso de automóveis, e até 20% em máquinas e químicos. O acordo reduz essas distorções e busca eliminar também barreiras não tarifárias, como exigências técnicas e procedimentos considerados excessivamente complexos.
“Para a UE, fechar esse acordo é uma forma de diversificar riscos e reduzir dependências em um cenário global cada vez mais instável”, avalia o especialista em comércio exterior Jackson Campos. “Já para o Mercosul, é uma chance de ganhar previsibilidade e relevância estratégica, ainda que isso venha acompanhado de concessões duras. É vantajoso para os dois lados, especialmente quando se analisa o momento atual das negociações globais”.
Articulação do Brasil
O tratado ganhou tração no fim de 2024 com maior articulação diplomática do governo Luiz Inácio Lula da Silva e apoio de países europeus com forte interesse exportador, como Alemanha e Espanha.
O contexto internacional também foi decisivo. A retomada de políticas protecionistas e tarifas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, reforçou o discurso europeu e sul-americano em defesa do comércio baseado em regras. Para Bruxelas, o acordo também responde ao avanço da China como principal parceiro comercial da América do Sul.
“Para a União Europeia, o tratado tem peso estratégico ao diversificar parceiros comerciais, reduzir a dependência da China e oferecer maior previsibilidade em um cenário global mais protecionista”, pontua a analista Sol Azcune, da XP.
Impacto direto
A União Europeia já é um dos principais destinos das exportações brasileiras, mesmo sem o acordo em vigor. Em 2025, as exportações agropecuárias brasileiras ao bloco somaram US$ 22,89 bilhões.
Alguns destaques:
• Carne bovina: US$ 820,15 milhões exportados, alta anual de 83,2%;
• Café verde: principal mercado externo, com US$ 6,43 bilhões;
• Complexo soja: quase US$ 6 bilhões;
• Celulose: US$ 1,98 bilhão, com a UE como segundo maior destino;
• Carne de frango: US$ 457,99 milhões.
O acordo prevê redução ou eliminação de tarifas para carnes, açúcar, etanol, café, suco de laranja e produtos florestais, o que pode ampliar a competitividade brasileira em um mercado de alto poder aquisitivo e maior previsibilidade institucional.
O impacto sobre as empresas brasileiras, no entanto, deve levar tempo. “Não vai ser do dia para a noite, é uma coisa mais estrutural, de longo prazo, porque a aplicação tende a ser um pouco lenta, morosa”, explica Matheus Spiess, estrategista da Empiricus Research. “Mas, ao longo do tempo, a gente deve começar a colher os frutos, apesar de toda a resistência de alguns setores europeus.”
Além do agronegócio
O texto do acordo não se limita ao comércio de bens. A Comissão Europeia destaca avanços em:
• Serviços financeiros, telecomunicações, transporte, serviços empresariais e manufatura;
• Investimentos, com redução de discriminação regulatória;
• Compras públicas, permitindo que empresas brasileiras concorram em licitações europeias em condições mais transparentes.
Para o Brasil, isso abre espaço para integração industrial e prestação de serviços com maior valor agregado, reduzindo a dependência de exportações primárias no longo prazo.
O acordo também inclui um capítulo específico para pequenas e médias empresas, com compromissos de transparência regulatória, facilitação aduaneira e acesso à informação. A Comissão Europeia reconhece que barreiras comerciais afetam desproporcionalmente empresas menores, o que tem impacto direto também sobre exportadores brasileiros de menor porte. Com informações do InfoMoney e Agência Brasil.