Domingo, 18 de Janeiro de 2026

Home Economia Acordo Mercosul-União Europeia: por que o Brasil é o centro da relação entre os dois blocos

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A assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, nesse sábado (17), vai aproximar cadeias produtivas estratégicas de dois continentes, ao mesmo tempo em que evidencia uma relação econômica assimétrica — em que o Brasil ocupa posição central dentro do tratado.

O acordo prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, que chegam a mais de 90% do comércio total entre os blocos. O texto também estabelece regras comuns para áreas como bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios, após mais de 25 anos de negociações.

De acordo com dados da Comissão Europeia, o Brasil responde por mais de 82% de todas as importações europeias originadas no Mercosul e por cerca de 79% das exportações do bloco sul-americano destinadas ao velho continente.

Com esse desenho, Argentina, Uruguai e Paraguai tendem a ocupar uma posição secundária na dinâmica do acordo. Ainda que integrem oficialmente o Mercosul, a menor escala de suas trocas comerciais faz com que a UE conduza a negociação essencialmente a partir da relação com o Brasil.

Importações

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que as compras brasileiras junto ao bloco europeu estão concentradas em poucos parceiros. Em 2025, três países responderam, juntos, por cerca de 57% dos US$ 50,3 bilhões que o Brasil importou da UE.

• Alemanha: US$ 14,4 bilhões (28,6%);
• França: US$ 7,2 bilhões (14,3%);
• Itália: US$ 7,1 bilhões (14%).

A composição das importações brasileiras evidencia uma dependência concentrada em bens de maior valor tecnológico, essenciais tanto para o funcionamento de serviços públicos quanto para a atividade industrial.

Sendo eles:

• Medicamentos e produtos farmacêuticos: US$ 8,1 bilhões.
• Autopeças: US$ 2,5 bilhões.
• Motores e máquinas não elétricas: US$ 2,4 bilhões.
• Aeronaves: US$ 1,2 bilhão.
• Equipamentos de medição, verificação e controle: US$ 1,4 bilhão.
• Compostos químicos: US$ 1,41 bilhão.

José Pimenta, diretor de Comércio Internacional e sócio da BMJ Consultoria, ressalta que a retirada das tarifas tende a reduzir os custos de produção no Brasil ao baratear a importação de insumos da UE. Segundo ele, hoje a tributação eleva de forma significativa o preço final pago pelo produtor brasileiro.

“Em alguns casos, o produto chega a pagar 35% ou 40% sobre o valor. Um insumo que custa R$ 100 mil pode chegar a R$ 140 mil na mão do produtor. Com a retirada das tarifas, esse mesmo fertilizante poderia chegar por algo em torno de R$ 100 mil.”

Exportações

Para a União Europeia, o Brasil desempenha um papel relevante como fornecedor de insumos básicos e matérias-primas estratégicas. Segundo dados do MDIC, dos US$ 49,81 bilhões exportados pelo Brasil ao bloco europeu em 2025, 73% tiveram como destino cinco países.

• Holanda: US$ 11,7 bilhões (23,6%);
• Espanha: US$ 8,8 bilhões (17,7%);
• Alemanha: US$ 6,5 bilhões (13,1%);
• Itália: US$ 5,3 bilhões (10,8%);
• Bélgica: US$ 4 bilhões (8,1%).

No caso holandês, esse protagonismo está ligado ao papel do país como hub logístico da UE, com destaque para o porto de Roterdã, principal porta de entrada de mercadorias que depois seguem para outros mercados do continente.

Já para Espanha e Alemanha, a relevância do acordo vai além da ampliação das trocas comerciais. Segundo Leonardo Munhoz, pesquisador do Centro de Bioeconomia da Fundação Getulio Vargas (FGV), o tratado é visto como parte da estratégia europeia para fortalecer a economia diante das tensões geopolíticas envolvendo China e Rússia.

“Foi visível o esforço desses países para viabilizar o acordo, que é visto como vantajoso para a União Europeia no contexto atual, especialmente pela necessidade de diversificação de mercados.”
Esse interesse se reflete na composição da pauta exportadora brasileira para a UE, concentrada em produtos primários e insumos industriais — itens necessários para cadeias produtivas e para o abastecimento energético e alimentar do continente.

Entre os principais estão:

• Óleo bruto de petróleo: US$ 9,8 bilhões.
• Café não torrado: US$ 7,1 bilhões.
• Farelo de soja para alimentação animal: US$ 4 bilhões.
• Minérios de cobre: US$ 3 bilhões.
• Celulose: US$ 2,1 bilhões.
• Minério de ferro: US$ 1,1 bilhão.

Demais países

Embora negociado em bloco, o acordo entre União Europeia e Mercosul apresenta uma estrutura assimétrica. O Brasil concentra a maior parte do peso econômico, enquanto Argentina, Uruguai e Paraguai participam em escala menor.

Segundo especialistas, essa diferença reflete tanto nos fluxos comerciais quanto na capacidade de influência política dentro do processo.

A Argentina aparece como o segundo principal parceiro sul-americano no comércio com a União Europeia, mas a distância em relação ao Brasil é expressiva. Em 2024, as exportações brasileiras ao bloco europeu foram quase cinco vezes maiores que as argentinas, que somaram US$ 8,5 bilhões. As informações são do g1.

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