Sexta-feira, 14 de Junho de 2024

Home em foco Adesão do Brasil ao compromisso sobre florestas, um dos principais pontos em discussão na conferência climática da ONU, que começa neste domingo, é vista como um avanço na posição do governo Bolsonaro

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País que abriga 60% da Amazônia, o Brasil assinará, durante a COP26, em Glasgow, na Escócia, um acordo internacional essencial para a preservação das florestas. A informação é do secretário de Assuntos Políticos Multilaterais, Paulino Franco de Carvalho Neto, do Ministério das Relações Exteriores.

“Enviamos comunicação formal aos promotores da iniciativa, confirmando nossa adesão. Isso demonstra, uma vez mais, a nova postura brasileira de compromisso com os temas de desenvolvimento sustentável e especificamente sobre mudança do clima”, disse. “O Brasil tem a expectativa de que as maiores economias mundiais farão também sua parte, em especial na redução do uso de energias fósseis, causa principal do aquecimento global”, acrescentou.

O Forest Deal — acordo sobre preservação das florestas — é um dos maiores pontos da COP26, que começa neste domingo (31) e vai até 12 de novembro. O documento busca permitir a definição de objetivos claros, em nível mundial, sobre a redução do desmatamento e da degradação dos solos até 2030.

Relatório do coletivo de ONGs Observatório do Clima mostra que as emissões de CO2 do Brasil aumentaram 9,5% em 2020, apesar de a média mundial ter caído em 7% devido à pandemia de coronavírus, que reduziu o transporte e a produção industrial. A exceção é devido ao “aumento do desmatamento no ano passado, em especial na Amazônia, que colocou o Brasil na contramão do planeta”, apontou o Observatório do Clima.

O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou na última semana que o Brasil deveria se apoiar nas “armas da diplomacia” para defender seus interesses sobre a Amazônia em Glasgow e negociar “para que o país seja compensado” por preservar o bioma.

Mais uma vez, o presidente Jair Bolsonaro não participará da COP. Ele será representado pelo ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, apesar de estar na Europa para a reunião do G20, em Roma. Segundo o Palácio do Planalto, “por motivo de agenda”, o chefe do Executivo enviou um vídeo gravado aos organizadores do evento.

Mourão saiu em defesa de Bolsonaro e disse que ele tem uma “equipe robusta” para representá-lo. “O presidente Bolsonaro sofre uma série de críticas. Então, ele vai chegar a um lugar em que todo mundo vai jogar pedra nele? Está uma equipe robusta lá, com capacidade para levar adiante a estratégia de negociação”, frisou.

Pressão

Especialistas destacaram que o Brasil será mais pressionado em relação à redução do desmatamento na Amazônia e da emissão de gases do efeito estufa. Para eles, a reunião apresenta uma oportunidade de reverter a imagem negativa do país internacionalmente. Já a ausência do presidente à reunião foi lida como uma tentativa de proteger a comitiva brasileira de desgaste, além de evitar protestos populares contra o governo.

O primeiro vice-presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa da Câmara, deputado Rubens Bueno (Cidadania-PR), atribuiu a ausência de Bolsonaro à falta de importância que o presidente dá à conservação ambiental e à péssima imagem internacional do Brasil nas questões sobre o tema.

“O Brasil está em uma encruzilhada de oportunidades e também de riscos significativos. A tolerância com a grilagem de terras e com as ilegalidades ambientais está exposta internacionalmente, o que implica perder atratividade para investimentos e oportunidades comerciais”, ressaltou.

O pesquisador Carlos Nobre, um dos mais respeitados estudiosos das mudanças climáticas globais, considera que o Brasil chega à COP26 cercado de desconfianças, em razão da política ambiental adotada pelo governo Bolsonaro. “Há um pico no desmatamento da Amazônia, degradação do cerrado, do Pantanal”, elencou.

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