Terça-feira, 08 de Setembro de 2026

Home Política Advogado-geral da União sai prejudicado com a divulgação de mensagens de Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes

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A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) após a divulgação de mensagens de Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes, que reagiu com pedido de investigação contra o colega André Mendonça, ampliou a pressão sobre o ministro Jorge Messias, da Advocacia-Geral da União, principal opção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a Corte.

O ápice da tensão no Judiciário abriu a possibilidade de a indicação ficar para um segundo momento. Lula vinha dizendo até então a auxiliares e em falas públicas que enviaria novamente o nome do aliado para o lugar de Luís Roberto Barroso, que se aposentou há quase um ano. Messias foi rejeitado pelo Senado em abril, num movimento feito pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), com aval de ministros da Corte, como Moraes.

Cinco meses depois e dentro de um quadro tumultuado no Supremo, integrantes do círculo próximo de Lula tentam convencê-lo a indicar o desembargador Ricardo Couto, governador interino do Rio, que tem adotado uma postura de combater as ilegalidades e a corrupção no estado. O presidente não é próximo de Couto, mas já fez a ele elogios públicos.

Possível sacrifício

Nas palavras de um interlocutor do presidente, seria necessário “sacrificar” Messias para atenuar a crise e indicá-lo em outro momento, em caso de reeleição.

Messias é próximo a Mendonça, que pediu votos a ele na tentativa barrada pelo Senado. Mendonça, no entanto, integra na Corte um bloco antagonista ao de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes, ministros com quem Lula tem mais interlocução. O receio dessa ala é que a entrada represente uma composição com o bloco oposto.

Messias, por sua vez, tem afirmado reservadamente que há uma tentativa de desgaste que incluiu um relatório de inteligência da Polícia Federal (PF). O documento, usado por Moraes para questionar a conduta de Mendonça, diz que Messias pode ter evitado atender a demandas da PF para contestar decisões nos inquéritos sobre fraudes no INSS e as suspeitas de tráfico de influência de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, para manter a boa “relação política” com Mendonça.

O chefe da AGU classificou a interlocutores a menção no relatório como “vingança”. Procurado, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, não se manifestou.

Em documento encaminhado a Messias em julho, a corporação apresentou, em dez pontos, divergências em relação à exigência de Mendonça de comunicação prévia sobre mudanças na equipe responsável pelas investigações e a ordem de delimitar o acesso judicial ao material produzido nas apurações. A PF queria que a AGU recorresse, o que não ocorreu.

Falta de embasamento

Em nota, Messias disse que agiu na Corte para atender aos pleitos da corporação, mas que não havia embasamento jurídico para apresentar um recurso nos termos que a PF queria. O texto acrescenta que ele buscou interlocução com Mendonça e o presidente do STF, Edson Fachin, para construir um “ambiente de diálogo capaz de equacionar divergências e evitar o agravamento de uma situação institucional sensível”.

É na relação com Mendonça, o relator citado na nota, que se concentram as críticas de um grupo próximo a Lula. Esses aliados lembram que Messias defendeu uma aproximação com o ministro, mas que as investigações sob a relatoria dele têm provocado uma série de desgastes. Já houve a revelação de diálogos de Lulinha com uma lobista interessada em contratos com o governo e do ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, que teve contas pagas pela mesma interlocutora — ele disse se tratar de um empréstimo, quitado posteriormente.

Há percepção na campanha de que isso desgasta a imagem do petista e complica uma disputa já acirrada com seu principal opositor, Flávio Bolsonaro (PL).

Aliados de Messias, por sua vez, relatam que Lula não está disposto a trocar a indicação e lembram o longo histórico de dedicação do chefe da AGU ao PT. Por essa avaliação, Messias só não foi aprovado por causa da conjuntura política desfavorável no Senado na ocasião. A recomposição entre Lula e Alcolumbre, de acordo com essa leitura, poderia pavimentar a aprovação. (Com informações do jornal O Globo)

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Crise de Alexandre de Moraes cola mais em Lula do que o escândalo com Lulinha
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