Sábado, 10 de Janeiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 9 de janeiro de 2026
O agronegócio brasileiro deve ser o principal beneficiado no país depois que líderes do Mercosul e da União Europeia deram aval nessa sexta-feira (9) para a assinatura da proposta, prevista para o dia 17. A integração entre dois dos maiores blocos econômicos do mundo soma 720 milhões de pessoas e mais de US$ 22 trilhões de Produto Interno Bruto (PIB). Para o Brasil, maior economia do Mercosul, o tratado amplia o acesso a um mercado de cerca de 451 milhões de consumidores.
O acordo prevê a eliminação das tarifas de importação de 77% dos produtos agropecuários que o Mercosul vende para a União Europeia, mostrou uma reportagem publicada no Portal G1. O setor poderá aumentar as vendas de produtos como café, peixes, crustáceos, frutas e óleos vegetais, que terão taxas de importação gradualmente zeradas na Europa.
A proposta ainda prevê a eliminação de tarifas de importação sobre 91% das mercadorias negociadas entre a União Europeia e o Mercosul. Conforme estimativas europeias, as exportações do bloco para a América do Sul podem subir até 39%, com potencial de gerar cerca de 440 mil empregos no continente europeu.
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que representa produtores de ovos e das carnes de frango e de porco, disse que o anúncio representa “um avanço relevante para a previsibilidade comercial e para o fortalecimento das relações entre os blocos, com impactos graduais e bem delimitados para o setor de proteínas animais”.
A entidade afirmou ainda que a concretização do acordo reforça o posicionamento do Brasil como fornecedor confiável de proteínas animais, “com base em sanidade, sustentabilidade e capacidade produtiva”.
O Brasil, um dos maiores produtores de alimentos do mundo, deve ser um grande beneficiário do acordo. O bloco europeu já é o segundo maior cliente do agro brasileiro, atrás da China e à frente dos Estados Unidos.
A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) concordou que a aprovação é um avanço importante, “após mais de duas décadas de discussões e ajustes”.
O presidente da entidade, Tirso Meirelles, declarou que o tarifaço, imposto por Trump no ano passado, reforçou a importância de acordos bilaterais que ampliem o alcance do comércio internacional brasileiro.
Apesar de as exportações brasileiras de soja em grão, farelo de soja e milho não enfrentarem barreiras tarifárias na UE, a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) informou que o setor também será beneficiado.
Carne
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) informou que a carne bovina brasileira tem dois tipos de tarifação para ser comprada pela UE. Uma delas é a cota Hilton, para cortes nobres. O Brasil exporta 10 mil toneladas por ano com uma taxa de 20%. O percentual será zerado, caso o acordo seja aprovado. A taxa para outros tipos de carne bovina é de 12,8%, mais 221,1 euros por 100 kg. O Brasil deve deixar de pagar essa tarifa, se o acordo for sancionado.
Pelo tratado, Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai poderão exportar, juntos, até 99 mil toneladas por ano, com uma tarifa inicial de 7,5%.
Café solúvel
O café é o segundo produto brasileiro mais vendido para a UE em valor exportado após a soja. O café em grão — que representa 97% das vendas do setor à UE — entrará na Europa sem precisar de tarifa.
O diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos, disse que o acordo pode tornar o café solúvel mais competitivo na Europa.
Isso porque, atualmente, o país é prejudicado pela concorrência vietnamita, que já tem acordo comercial com o bloco para tarifa zero neste produto. Atualmente, a UE aplica uma taxa de 9% sobre o café solúvel e de 7,5% sobre o torrado e moído, esclareceu Matos. O acordo UE-Mercosul prevê que as tarifas do café solúvel e torrado e moído zerem em 4 anos.