Quarta-feira, 22 de Abril de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 21 de abril de 2026
A produtividade do trabalho no Brasil repetiu em 2025 o desempenho de 2024, ambos bem abaixo da variação registrada em 2023, reforçando a percepção entre especialistas de que aquele foi um ano excepcional e o país retorna à sua média histórica baixa.
Considerando as horas efetivamente trabalhadas, a produtividade cresceu 0,4% em 2024 e também em 2025, após subir 2,3% em 2023, de acordo com as informações do Observatório da Produtividade Regis Bonelli, do Instituto Brasileiro de Economia (FGV Ibre). E só houve aumento no ano passado por causa da forte alta dos ganhos de eficiência da agropecuária; na indústria e em serviços, houve queda.
“A produtividade do trabalho melhorou após a covid-19 e isso aconteceu no mundo todo, mas o que vemos depois no Brasil é um crescimento muito baixo”, diz Silvia Matos, coordenadora do observatório e autora do estudo junto com os pesquisadores Fernando de Holanda Barbosa Filho e Paulo Peruchetti.
A produtividade é calculada pela comparação do valor adicionado (VA) –variável próxima ao Produto Interno Bruto (PIB), mas que exclui impostos e subsídios – com indicadores do fator trabalho. Já as horas efetivamente trabalhadas podem incluir reduções por motivo de doença, feriado ou cortes de jornada, bem como aumentos por causa de picos de produção e compensação de horas não trabalhadas. Por isso, o critério é considerado um retrato mais fiel da produtividade do trabalho. Em 2025, o valor adicionado cresceu 2,4%, menos que o 3,1% de 2024, mas acima da alta de 2% das horas efetivas.
Os outros fatores trabalho analisados cresceram ainda menos que o VA: 1,9% no caso das horas habitualmente trabalhadas e 1,8% considerando a população ocupada. Assim, as respectivas métricas de produtividade avançaram 0,5% e 0,6% em 2025, pela ordem.
No quarto trimestre de 2025, a produtividade por hora efetiva cresceu 0,6%, em relação ao mesmo período de 2024, fruto do crescimento de 1,9% do VA e de 1,3% das horas efetivas. Em relação ao terceiro trimestre de 2025, a produtividade caiu 0,2% de outubro a dezembro, feito o ajuste sazonal.
“Vemos alguma desaceleração nas horas trabalhadas, no mercado de trabalho, mas ainda são sinais muito modestos”, diz Matos. As horas efetivamente trabalhadas cresceram 1,3% no quarto trimestre de 2025, em relação ao mesmo período do ano anterior, após subirem 2,9% по primeiro, 2% no segundo e 1,8% no terceiro.
Com o resultado do quarto trimestre de 2025, a produtividade por hora efetiva ainda está 2,1% acima do nível pré-pandemia. “Ela tem mantido um valor acima do patamar de 2019, o que é positivo, mas isso ficou muito concentrado em 2023”, afirma Matos.
Além disso, ela aponta que os ganhos de 2025 dependeram exclusivamente da agropecuária, cuja produtividade cresceu 13,2%. Na indústria e nos serviços, houve retração de 0,3% e 0,6%, pela ordem. O agro contribuiu com 0,75 ponto percentual (p.p.) para a produtividade em 2025, enquanto indústria e serviços retiraram 0,05 e 0,31 p.p., respectivamente.
“A agropecuária ajuda a camuflar”, diz Barbosa Filho. “É um setor que vai poupando trabalho ao mesmo tempo em que tem um resultado muito positivo em termos de valor adicionado pela produção”, afirma Matos.
O ano passado foi também o primeiro na série histórica do observatório, iniciada em 1995, em que a produtividade da agro ultrapassou a da indústria de transformação.
Matos pondera que a queda em serviços em 2025 foi concentrada em atividades como administração pública, imobiliárias e intermediação financeira – nos dois últimos casos, o valor adicionado não reflete necessariamente produção, mas elementos como aluguel imputado e oscilações da Selic.
Assim, uma agregação que exclui esses segmentos, representando 82% das horas trabalhadas nos serviços, e que os pesquisadores chamaram de “serviços privados” aponta para ligeiro crescimento de 0,1% da produtividade por hora efetiva em 2025. “Pelos menos é um resultado mais de estagnação do que de contração”, diz Matos.
Mesmo assim, a produtividade dos serviços tem sido muito baixa nos últimos anos, afirmam os pesquisadores. No setor como um todo, a produtividade anual ficou praticamente estagnada na média de 2023 a 2025, enquanto nos “serviços privados” o avanço foi de 0,3%. “Em termos históricos, é muito baixo”, afirma Matos.
A agropecuária tem sido muito importante para a produtividade no Brasil inclusive em termos históricos, ressalta a economista. De 1996 a 2025, a produtividade cresce, em média, 0,8%, mas o agro é basicamente 0,5 p.p. disso, aponta.
Medida de eficiência com que os fatores capital e trabalho se transformam em produção, a produtividade total dos fatores (PTF) por hora efetiva, por sua vez, ficou estagnada no quarto trimestre de 2025, em relação ao mesmo período de 2024, e fechou o ano passado com queda de 0,5%, após já ter recuado 0,8% um ano antes. Assim, a PTF por hora efetiva está 5,3% abaixo do nível pré-pandemia. (Com informações do Valor Econômico)