Terça-feira, 14 de Abril de 2026

Home Política Alexandre Ramagem entrou nos Estados Unidos com documentos falsos e ajuda de garimpeiro

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Preso pelo serviço de imigração dos Estados Unidos, o ex-deputado federal Alexandre Ramagem entrou no país com apoio de aliados e uso de documentos falsos, segundo investigação da Polícia Federal (PF). Condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão no processo da trama golpista, Ramagem estava desde setembro de 2025 em Miami, onde vivia em um condomínio de luxo.

De acordo com a PF, a fuga e a permanência do ex-parlamentar nos EUA tiveram participação central da família do garimpeiro Rodrigo Martins de Mello, conhecido como Rodrigo Cataratas. Ele, a mulher Priscila de Mello e o filho Celso Rodrigo de Mello são apontados como responsáveis por viabilizar moradia, suporte financeiro e obtenção de documentos falsos para Ramagem. O objetivo seria “ludibriar as autoridades americanas”, inclusive para a emissão de carteira de motorista.

Os detalhes constam em decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes, que, em dezembro de 2025, citou o caso ao negar prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro. No documento, a PF afirma que a atuação da família do garimpeiro evidencia “o claro intuito de financiar a organização criminosa” investigada por tentativa de golpe de Estado.

Segundo o trecho destacado pelo ministro, os documentos falsos seriam usados por Ramagem, que está desde setembro em Miami, na Flórida, para “ludibriar as autoridades americanas” e conseguir uma carteira de motorista.

A investigação também traçou a rota de saída do País. Ramagem deixou o Brasil por Roraima, cruzando a fronteira pelo município de Bonfim em direção à Guiana, onde Cataratas mantém negócios. De lá, seguiu para os Estados Unidos. A PF aponta que o esquema contou com estrutura organizada para garantir a fuga e a permanência clandestina no exterior.

Em dezembro, o filho de Cataratas foi preso em Manaus pela Polícia Federal por decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes, responsável pelo caso. Semanas antes, o empresário já havia se manifestado nas redes após começar a circular nas redes a informação de que ele teria ajudado Ramagem a deixar o Brasil.

“(Ramagem) tem vários amigos em Roraima, e eu também sou amigo dele, certo? Ele é deputado federal, pessoal. Quando ele esteve em Roraima pela última vez não existia nenhuma condenação contra ele. Então, essa narrativa de fuga, isso é uma narrativa falaciosa, justamente para manter uma perseguição”, diz Cataratas no vídeo, publicado no final de novembro, sem confirmar se estava ou não sendo investigado.

No vídeo, o empresário diz que tomou conhecimento da condenação de Ramagem pelas redes sociais e apenas quando ele já estava fora do País. No dia 31 de março, Cataratas publicou em suas redes sociais uma imagem ao lado do então parlamentar, que teve o mandato cassado em dezembro.

Segundo Cataratas, Celso é cidadão americano e estava em deslocamento para os Estados Unidos para celebrar o próprio casamento, estando acompanhado da mulher e da filha.

O garimpeiro tem negócios na Guiana, país que esteve na rota de fuga de Ramagem rumo aos Estados Unidos, como revelou a colunista do jornal O Globo Malu Gaspar. A investigação da PF apurou que o deputado federal chegou ao país vizinho pelo município de Bonfim, que faz fronteira com a cidade de Lethem.

Atualmente, Rodrigo Cataratas é pré-candidato ao Senado pelo PRD. Em 2022, ele havia disputado por uma cadeira na Câmara dos Deputados pelo PL, tendo declarado guardar R$ 4,5 milhões em dinheiro vivo. O seu patrimônio inclui ainda dez aeronaves e onze veículos, além de um total de R$ 33,6 milhões. Ele é um dos líderes do “Movimento Garimpo é Legal”.

Em janeiro de 2024, o Ministério Público Federal denunciou o empresário por suspeita de atear fogo a um carro do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) e invadir o pátio da PF para incendiar um helicóptero do instituto em 2021. Cataratas teria financiado e incentivado a destruição dos equipamentos. Cataratas ainda é réu em três processos na Justiça Federal por ligação com a exploração ilegal de ouro em Roraima. Assim como o pai, o filho Celso também já teve problemas com a Justiça. Em 2022 ele foi preso por suspeita de explorar ilegalmente ouro na Terra Indígena Yanomami. Ele foi solto dias depois. (Com informações do jornal O Globo)

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