Sexta-feira, 30 de Outubro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 29 de outubro de 2026
Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL) atribuíram à inteligência artificial (IA) as alterações nas diferentes versões da carta divulgada pelo parlamentar após sua viagem aos Estados Unidos. O documento, que inicialmente trazia uma autoproclamação como presidente eleito do Brasil, passou por mudanças depois de críticas e questionamentos de integrantes do próprio grupo político.
Em publicação na rede social X, o jornalista Paulo Figueiredo, aliado de Flávio e do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, afirmou que Eduardo utilizou o ChatGPT para inserir o brasão do Brasil no documento. Segundo ele, a ferramenta teria selecionado uma versão antiga do símbolo nacional.
A imagem utilizada inicialmente apresentava o brasão da República Federativa do Brasil centralizado na parte superior, sobre fundo branco, seguido de um texto em formato de declaração oficial, iniciado com a frase “Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional”.
O símbolo, entretanto, correspondia à versão utilizada até 1967, quando o nome oficial do país era escrito como “Estados Unidos do Brazil”, com a letra “z”, conforme a grafia antiga. Figueiredo afirmou que o episódio foi motivo de brincadeira entre os envolvidos. “Nós achamos muito engraçado”, declarou.
O jornalista também atribuiu ao uso da inteligência artificial a primeira versão do texto que apresentava Flávio como o suposto presidente eleito. Segundo ele, havia uma redação anterior que utilizava essa expressão, mas o documento passou por diferentes revisões, com contribuições de mais de uma pessoa.
Figueiredo explicou que a versão final deveria apresentar o senador como “verdadeiro líder”, mas a ferramenta teria recuperado um trecho de uma redação anterior, na qual aparecia a autoproclamação como presidente eleito. Ele afirmou que a expressão “verdadeiro líder” descreve com maior precisão a situação jurídica do parlamentar e também possui um significado moral.
Na segunda versão encaminhada à imprensa, o brasão já havia sido corrigido, com a identificação “República Federativa do Brasil”. Posteriormente, o próprio Flávio publicou outra versão da carta, na qual substituiu as referências a “presidente eleito” por “líder do Brasil”.
Enquanto as versões do documento eram alteradas, o paradeiro do senador permanecia desconhecido na tarde dessa quinta-feira (29). Flávio chegou à Flórida, nos Estados Unidos, na manhã de quarta (28), após deixar o Brasil em direção à Argentina e fazer uma escala em Guayaquil, no Equador. Depois do desembarque, seguiu para um destino que não foi divulgado.
Aliados, entre eles o próprio Figueiredo, haviam informado que o senador concederia uma entrevista coletiva à imprensa, com possibilidade de fazer declarações e responder às perguntas dos jornalistas. A agenda, entretanto, acabou cancelada.
Até então, não havia confirmação de que Flávio continuava em Miami ou informações oficiais sobre seu próximo destino. (Com informações da Folha de S.Paulo)