Sexta-feira, 09 de Janeiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 8 de janeiro de 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não se voltou para o problema da sucessão no Ministério da Justiça e Segurança Pública, diante da decisão do ministro Ricardo Lewandowski de deixar o cargo. Mesmo assim, ganhou força no entorno dele a percepção de que não há tempo hábil para criar a pasta da Segurança Pública este ano, e de que um ex-governador, com histórico de atuação firme nessa área, seria o melhor perfil para o lugar de Lewandowski. Aliados fizeram chegar vários nomes até o presidente. Em um primeiro momento, o secretário-executivo, Manoel Carlos de Almeida Neto deverá responder interinamente pela pasta.
Fontes do governo e do PT afirmam que está amadurecendo a avaliação sobre o perfil ideal para a vaga, em um cenário em que a segurança pública deverá ser um dos principais temas da campanha eleitoral. Diante disso, tem sido ventilado o nome do ministro da Educação e ex-governador do Ceará, Camilo Santana.
Segundo uma fonte do governo, Camilo é lembrado por sua atuação à frente da greve de parte da Polícia Militar, que se estendeu de 18 de fevereiro a 2 de março de 2020, desencadeando uma das piores crises de segurança do Estado. Ainda no meio da paralisação, o número de assassinatos havia saltado 138% em relação ao mesmo período de 2019, segundo dados oficiais. Camilo recebeu reforços das polícias de outros Estados do Nordeste, como Piauí e Bahia, e conseguiu encerrar a greve sem anistiar os amotinados.
Essa fonte alega que Camilo, que foi duas vezes governador, também teria se destacado no combate às facções, que ampliaram seus domínios no Ceará. Hoje, sob o comando de Elmano de Freitas (PT), o Ceará tem problemas de segurança. Segundo o mais recente Anuário de Segurança Pública, o Estado foi uma das quatro unidades da federação a registrar aumento na taxa de mortalidade por Mortes Violentas Intencionais (+10,9%) em 2024.
Camilo também é lembrado por ser um dos principais quadros do PT, nome da confiança de Lula, e estar no meio do mandato de senador, ou seja, não vai disputar cargo nas eleições de outubro. Paralelamente, circulam outros nomes nos bastidores, como o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e o coordenador do grupo Prerrogativas, Marco Aurélio Carvalho.
Outra fonte pondera que somente o ex-titular da pasta Flávio Dino, hoje ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), conciliou os dois requisitos que Lula havia estabelecido para o comando do ministério. Dino era um jurista respeitado, egresso da magistratura federal, e ex-governador do Maranhão, com experiência na área de segurança. Quando escolheu Lewandowski, Lula priorizou o perfil de jurista conceituado, egresso do STF. Agora, na falta de alguém que concilie os dois atributos, a prioridade, segundo aliados, seria o currículo na segurança pública, face à relevância eleitoral do tema.
As mesmas fontes descartam a eventual criação do Ministério da Segurança Pública ainda este ano. Alegam a falta de tempo e o excesso de burocracia para uma missão que soaria artificial, com objetivo unicamente eleitoral. A avaliação é de que a proposta deve ser apresentada por Lula como compromisso da campanha à reeleição. (Com informações do Valor Econômico)