Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 25 de fevereiro de 2026
Anotações feitas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, durante uma reunião de dirigentes do Partido Liberal mostram estratégias e alianças ainda em construção pelo Brasil.
A cúpula da legenda cogita, por exemplo, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro como possível candidato ao Senado por São Paulo, uma aliança com Ciro Gomes (PSDB) no Ceará e o senador Esperidião Amin (PP) fora da chapa bolsonarista em Santa Catarina.
O documento, intitulado “situação nos Estados” e obtido pelo Estadão, tem anotações do próprio Flávio, como foi confirmado por ele nessa quarta-feira (25). Após o encontro, o partido anunciou a chapa para o Rio de Janeiro, com Douglas Ruas (PL) ao governo estadual, Rogério Lisboa (PP) de vice, e o governador Cláudio Castro e o prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União) ao Senado.
Nas anotações do PL sobre São Paulo, o deputado federal e ex-secretário de Segurança Pública Guilherme Derrite (PP) aparece como cotado para uma das vagas ao Senado. Na outra, consta uma lista de opções: Renato Bolsonaro, o deputado Mario Frias (PL), Eduardo Bolsonaro (identificado pela sigla EB), o vice-prefeito de São Paulo, coronel Mello Araújo (PL), e o deputado federal Marco Feliciano (SP).
O vice do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), Felício Ramuth (PSD), aparece um cifrão ($) ao lado do nome. Nos últimos dias, o site Metrópoles publicou que Ramuth é alvo de investigação em Andorra sob suspeita de lavagem de dinheiro – Tarcísio chamou a informação de “fofoca”. Flávio escreveu ao lado do nome do presidente da Assembleia Legislativa, André do Prado (PL): “vice?”.
Em Minas Gerais, Flávio Roscoe (PL), presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), e o vice-governador Mateus Simões (PSD), são cotados ao governo estadual.
A anotação “conversa com Nikolas” aparece ao lado do nome de Roscoe, e há a seguinte anotação ao lado de Simões: “me puxa para baixo. Se for candidato, Cleitinho e Pacheco também são”, em referência ao senador do Republicanos e o ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD).
Para o Senado em Minas, há as opções: Carlos Viana (Podemos), Marcelo Aro (PP), Eros Biondini (PL) e Domingos Sávio (PL). Há uma marca ao lado dos nomes de Viana e Sávio.
No Ceará, Estado palco de um racha entre o grupo da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o de Flávio, o ex-presidenciável Ciro Gomes (PSDB) aparece como opção ao governo (“No palanque com Ciro pode fazer também Capitão Wagner x PT” está anotado ao lado). Alcides Fernandes (PL), também esperado como “palanque FB”, Priscila Costa (PL) e Roberto Cláudio (União) são opções ao Senado.
Já em Santa Catarina, o Estado mais identificado com o bolsonarismo, o governador Jorginho Mello (PL) consta como nome à reeleição, seguido de Carlos Bolsonaro (PL) e Caroline de Toni (PL) como candidatos ao Senado. O senador Esperidião Amin (PP), aliado dos Bolsonaro, aparece com o nome riscado, sugerindo estar fora da aliança.
No Distrito Federal, o governador Ibaneis Rocha (MDB), aliado bolsonarista, também aparece escanteado. Ele é pré-candidato ao Senado, mas os nomes do PL à Casa constam como Michelle Bolsonaro (PL) e a deputada federal Bia Kicis (PL). Celina Leão (PP), vice-governadora, é a aposta para o governo.
No Paraná, Guto Silva (PSD) e Sérgio Moro (União) são os nomes ao governo, enquanto Filipe Barros (PL), Cristina Graeml (Podemos, “não dá, atrapalha o Filipe”) e Deltan Dallagnol (“candidato do Ratinho, 1º nas pesquisas, se garante”) aparecem ao Senado.
No palanque do Mato Grosso do Sul, além de Eduardo Riedel (PP) como candidato à reeleição ao governo e Reinaldo Azambuja (PL) e Capitão Contar (PL) como nomes ao Senado, Flávio deixou um comentário no pé da página: “Pollon pediu 15 mi p/ não ser candidato”, escreveu.
Na manhã dessa quarta, após visita ao pai no presídio da Papudinha, Flávio negou que tenha anotado que o deputado Marcos Pollon (PL-MS) tenha pedido R$ 15 milhões para abrir mão de sua candidatura na eleição no Mato Grosso do Sul. Ele confirmou que fez anotações sobre o tema, mas que era para se lembrar de avisar ao deputado de que essa acusação estaria circulando.
“Em uma das anotações no Estado do Mato Grosso do Sul, o deputado Pollon… fiz uma anotação que já está sendo distorcida pela imprensa como se ele tivesse pedido alguma coisa para deixar de ser candidato a governo ou candidato ao Senado. Estava escrito ‘Pollon pediu R$ 15 milhões’ para não ser candidato. Aquilo nunca aconteceu”, disse. (Com informações de O Estado de S. Paulo)