Sexta-feira, 06 de Março de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 5 de março de 2026
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, já havia se preparado para explicar publicamente a amizade que construiu com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e o contrato que firmou com o escritório da mulher dele, Viviane Barci de Moraes.
O acordo previa o pagamento de R$ 129 milhões em três anos. Segundo relatos do próprio empresário, o contrato estaria relacionado à prestação de serviços jurídicos e consultoria para a instituição financeira, envolvendo diferentes áreas ligadas à governança e à estrutura interna do banco.
Além do contrato, Vorcaro mantinha encontros com Moraes e trocava mensagens com ele por meio do celular, o que já é de conhecimento da Polícia Federal (PF), que quebrou o sigilo das conversas do ex-banqueiro e teve acesso a todo o conteúdo de seu telefone durante as investigações.
De acordo com informações reunidas pela polícia, os dados obtidos a partir do aparelho celular passaram a integrar o material analisado pelos investigadores. O conteúdo inclui mensagens, registros de chamadas e outras comunicações que podem ajudar a esclarecer a relação entre o empresário e pessoas ligadas ao Judiciário.
Antes de ser preso, na quarta-feira (4), Vorcaro se dizia tranquilo sobre o assunto. Em conversas com interlocutores, afirmava que não via irregularidade na relação pessoal ou profissional que mantinha com integrantes do escritório de advocacia.
Ele não escondia que se considerava amigo de Moraes. E afirmava que a banca de Viviane, que tem entre os sócios Giuliana e Alexandre Barci de Moraes, os dois filhos do magistrado, prestou diversos serviços ao banco – o que ele teria como provar.
Um deles teria sido a confecção de manuais de compliance do Master. Esses documentos costumam reunir regras e procedimentos internos voltados à prevenção de irregularidades, ao cumprimento de normas legais e ao fortalecimento dos mecanismos de controle dentro de instituições financeiras.
A mulher, os filhos e outros sócios do escritório Barci de Moraes, dizia ele, haviam feito várias visitas à instituição, e o contrário também teria ocorrido: Vorcaro teria se reunido com a equipe de advogados por diversas vezes na sede da banca, em São Paulo.
O ex-banqueiro negava também interferências de Moraes em seu favor em processos judiciais. Em conversas anteriores à prisão, ele sustentava que nunca pediu qualquer tipo de favorecimento ao ministro em decisões ou procedimentos que envolvessem o banco.
Chegava a mostrar a tornozeleira que estava usando para dizer que, caso o poderoso magistrado tivesse interferido de fato nas ações, ele não se encontraria monitorado 24 horas por dia em prisão domiciliar.
Vorcaro estava se preparando para depor na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE) do Senado Federal do Brasil na próxima semana.
Embora o senador Renan Calheiros (MDB-AL), que preside a comissão, afirmasse que apenas assuntos relativos a negócios do banco e seus impactos no sistema financeiro seriam objetos de questionamento, havia a expectativa de que outros temas poderiam surgir no dia do depoimento – entre eles, a relação do ex-banqueiro com ministros do STF. (Com informações da colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo)