Segunda-feira, 02 de Fevereiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 2 de fevereiro de 2026
Líder do Instituto Desenvolve Pecuária fala sobre projetos de certificação, integração da cadeia da carne e o papel das mulheres no campo.
A pecuária gaúcha vive um momento de transformação e quem está na linha de frente desse processo é Antonia Scalzilli, presidente do Instituto Desenvolve Pecuária. Em entrevista, ela destacou iniciativas que unem inovação, sustentabilidade e comunicação com a sociedade urbana, reforçando o papel estratégico da carne gaúcha no cenário nacional e internacional.
Educarme: agro desde a escola
Para Antonia Scalzilli, o agro precisa ser apresentado às crianças desde cedo, como parte da formação cidadã. O projeto Educarme, iniciativa privada que busca inserir o tema nas escolas, deveria, segundo ela, ser tratado como uma verdadeira política de Estado. “É fundamental que os estudantes conheçam de onde vem o alimento, como ele é produzido e o cuidado que temos com o meio ambiente e os animais. Essa conexão foi sendo desconstruída ao longo do tempo por questões ideológicas, e precisamos retomar essa narrativa”, afirma.
Pecuária e sustentabilidade
A dirigente também destacou pesquisas sobre redução de emissões de gases na bovinocultura. Estudos recentes mostram que a alimentação adequada pode diminuir a liberação de metano, além de melhorar a absorção de nutrientes. “A inovação é fantástica. A genômica já permite identificar animais mais adaptados a emitirem menos gases. O boi não pode ser visto isoladamente, mas como parte de um ecossistema que tende a ser carbono neutro”, explica.
Instituto Desenvolve Pecuária
Criado há cinco anos, o Instituto tem como missão ser ponte entre pecuaristas, indústria e sociedade. “Nosso trabalho é mostrar que a pecuária gaúcha é diferenciada, integrada ao bioma e responsável ambientalmente. Dentro da porteira, buscamos melhorar a qualidade e constância da produção. Fora dela, comunicamos ao mundo o valor da nossa carne”, diz Antonia.
Ela lembra que o Rio Grande do Sul tem condições semelhantes às do Uruguai e da Argentina, países reconhecidos pela excelência da carne bovina. “Ousamos dizer que a nossa carne pode ainda ser superior”, afirma.
Certificação e rastreabilidade
A defesa da certificação de origem da carne gaúcha é um dos pilares do Instituto, que trabalha para ampliar a rastreabilidade e garantir transparência ao consumidor. A proposta é que cada embalagem traga informações detalhadas sobre o animal, sua origem e sistema de produção, fortalecendo a confiança na qualidade da carne produzida no Estado. “O consumidor está cada vez mais atento e engajado. Quer saber de onde vem o produto, como foi criado e conferir no rótulo dados que assegurem sua procedência. A rastreabilidade individual permitirá que cada peça de carne traga esse histórico completo, o que representa saúde e segurança alimentar”, ressalta Antonia Scalzilli.
Integração da cadeia
Antonia lembra que historicamente havia desconfiança entre pecuaristas e frigoríficos, mas o Instituto trabalha para superar essa barreira. “Quando todos os elos da cadeia se beneficiam, o setor cresce junto. Criamos o Fundo Carne, iniciativa privada para promover a carne gaúcha de qualidade e fortalecer sua imagem no mercado”, explica.
Mulheres no campo
Outro ponto de destaque é o protagonismo feminino. Antonia celebra a crescente participação das mulheres na pecuária e anuncia que o próximo Congresso de Criadores terá uma rodada dedicada às produtoras rurais. “Chegamos a um momento em que o que nos coloca em posição de liderança é a qualificação, não o gênero. A sucessão familiar também tem trazido jovens mulheres para o setor, preparadas para assumir responsabilidades”, afirma.
Agenda internacional
Em fevereiro, Antonia representará o Rio Grande do Sul no “Agro em Punta”, no Uruguai, evento que promove intercâmbio de práticas pecuárias entre países vizinhos. “Será uma oportunidade de mostrar o que estamos fazendo aqui e aprender com quem tem a pecuária como vocação nacional”, destaca.
Além disso, o Instituto organiza o Dia da Pecuária na Expodireto Cotrijal, em março, e a segunda edição do Congresso de Criadores, em junho, que no ano passado reuniu mais de 600 produtores e líderes do setor.
Orgulho gaúcho
Para Antonia, a pecuária é parte da identidade cultural do Rio Grande do Sul. “O gaúcho se orgulha da bombacha, do mate, do fogo de chão e do churrasco. Tudo isso está ligado à carne que produzimos. É uma riqueza que precisa ser valorizada e comunicada para o mundo”, conclui. (por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)