Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 9 de fevereiro de 2026
Pelo menos cem regimes de previdência estaduais e municipais investiram em fundos ligados ao Banco Master, revela levantamento da Folha de S.Paulo com base em dados da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e do Ministério da Previdência.
O cruzamento indica que três previdências estaduais e 98 municipais colocaram recursos em cinco fundos de investimento conectados ao banco de Daniel Vorcaro. Esses fundos investiram em imóveis, empresas em que a família Vorcaro tem participação, como a BR Cemitérios, e em ações da Ambipar, que perderam valor após a empresa entrar em crise financeira e deixar de pagar fornecedores e credores.
São eles o fundo de investimento em ações Texas I e os de investimento imobiliário Áquila, Osasco Properties, São Domingos e Brazilian Graveyard & Death Care.
Até agora, o que se sabia era que muitos institutos de previdência haviam investido diretamente no Master, comprando letras financeiras do banco. Dezoito órgãos estaduais e municipais compraram R$ 1,8 bilhão em letras do Master sem garantia, entre eles o Amapá e o Rio de Janeiro.
O levantamento vai além e mostra que mais de uma centena de institutos de previdência, que administram os recursos que bancam as aposentadorias de servidores públicos, foram também investidores indiretos do Master, aportando recursos por meio da compra de cotas em fundos de investimentos ligados ao banco de Vorcaro.
São municípios de diferentes portes e incluem capitais, como Goiânia. Já os estaduais são o do Amapá, do Rio de Janeiro e de Tocantins.
Antes de 2025, pouco antes de as ações da Ambipar derreterem, os aportes dos institutos de previdência nesses veículos de investimento totalizavam R$ 238 milhões. Desde então, o valor caiu 57%, principalmente por causa da desvalorização das ações da companhia de gestão ambiental, ativo detido pelo Texas I.
Para realizar o cruzamento, a Folha montou um mapa com a rede de fundos do Banco Master apontados por investigadores como fraudulentos. A teia parte dos seis identificados como suspeitos pelo Banco Central e chega a mais de 150.
A lista foi cruzada com o banco de dados do Ministério da Previdência, que registra a carteira de investimentos de todos os regimes próprios de previdência do país.
O Texas I é o que mais recebeu aportes desses entes. Em agosto de 2025, eram R$ 103 milhões. Segundo o Ministério Público Federal, o Texas foi utilizado pelo Master para inflar artificialmente o valor das ações da Ambipar.
Em setembro de 2025, a carteira valia R$ 634 milhões, sendo 93% em ações da companhia. Em dezembro de 2025, o patrimônio líquido era de R$ 122 milhões.
De acordo com documentos da investigação, o dono do Texas era o Banco Voiter, que foi comprado pelo Master e depois vendido a Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro e também investigado pela PF.
Juntos, os institutos de previdência do Rio de Janeiro e do Amapá perderam R$ 100 milhões no Texas, em razão de aportes realizados entre junho e setembro de 2025, quando as ações da Ambipar começaram a derreter rapidamente.
“A Ambipar era até então uma empresa consolidada, líder de mercado. Não tinha como prever que teria um percalço”, disse o diretor do Rioprevidência Pedro Pinheiro Guerra em outubro do ano passado, segundo ata do instituto.
A Polícia Federal prendeu o ex-presidente do instituto, Deivis Marcon Antunes. Ele é acusado de obstrução de Justiça e ocultação de provas.
No caso do Amapá, o aporte foi realizado com aprovação do comitê de investimentos em setembro, apenas dez dias antes de as ações da Ambipar começarem a despencar. O investimento de R$ 30 milhões se transformou em R$ 4,2 milhões depois de dois meses.
O fundo do Amapá (Amprev) foi alvo de ação da Polícia Federal na manhã de sexta-feira (6).
Amprev disse que os investimentos no Master representam 4,7% do total da carteira, que se sente lesada pelos malfeitos do banco e que não abre mão de ser ressarcida. O Rioprevidência não respondeu aos questionamentos da Folha.
O segundo fundo com mais aportes é o Aquilla, cuja posição dos regimes de previdência em agosto de 2025 era R$ 83 milhões. Ele está na rede apontadas como fraudulenta do Master e foi citado na Operação Fundo Fake, de 2020, por suspeitas de “rebates” pagos a uma consultoria de investimento que assessorava institutos de previdência.
O fundo registrou prejuízo de R$ 20 milhões em 2025 e teve as contas do ano anterior reprovadas pelos cotistas.
Em dezembro de 2024, o Aquilla investia em cotas do fundo São Domingos, além de dois terrenos em Queimados (RJ), um em Nova Iguaçu (RJ) e um galpão industrial em Taubaté (SP).
O maior investidor foi o instituto de previdência do Estado do Tocantins, que manteve R$ 21 milhões aplicados. O instituto afirmou por nota que os investimentos foram feitos entre 2011 e 2014, e que atualmente aplica apenas em bancos oficiais e papeis do Tesouro Nacional. (Com informações da Folha de S.Paulo)