Sábado, 21 de Março de 2026

Home Brasil Após escândalo do Master Bancos apontam risco político no sistema financeiro do País

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A liquidação extrajudicial das instituições do conglomerado Master “não gerou efeitos sistêmicos” na avaliação do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef) do Banco Central (BC). A ata da última reunião do colegiado, formado pela diretoria da autoridade monetária, foi publicada durante a semana. A percepção dos bancos é um pouco diferente. As instituições financeiras começaram a enxergar em janeiro, ainda que em níveis baixos, riscos políticos no sistema financeiro, de acordo com outra publicação do BC.

Os resultados da Pesquisa de Estabilidade Financeira (PEF), também divulgada ontem, mostraram maior preocupação do setor com o impacto desses riscos na estabilidade do sistema. A pesquisa foi realizada entre 9 de janeiro e 6 de fevereiro e captou percepções de atores como bancos, cooperativas e instituições de pagamento.

Em uma das questões abertas, o BC pediu para que os respondentes informassem quais riscos à estabilidade financeira consideravam mais relevantes para os próximos três anos, levando em conta probabilidade e impacto no sistema. Até então, o risco político não aparecia entre os mencionados, mas pela primeira vez foi citado como o mais importante em 4% das respostas, embora muito atrás de riscos fiscais (40%), inadimplência e atividade (22%), cenário internacional (19%) e demais riscos (12%). Os riscos de mercado ficam empatados com 4%.

O fim do ano passado e o início deste ano foram marcados por pressões sobre o BC e a liquidação extrajudicial do Master. A decisão do BC chegou a ser questionada no Tribunal de Contas da União (TCU). O ministro Jhonatan de Jesus determinou inspeção na autoridade monetária e até ameaçou suspender a liquidação. Jesus eventualmente recuou e a inspeção foi realizada após acordo entre BC e TCU.

Naquele momento, entidades do setor financeiro e da sociedade civil saíram em defesa pública da atuação do Banco Central, defendendo a preservação da independência institucional e autoridade técnica do regulador.

Na ata do Comef, um dos pontos mencionados foi que os mecanismos de proteção associados ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) foram acionados após a quebra do Master seguindo o modelo institucional, “evidenciando a capacidade de absorção de choques e a resiliência do sistema financeiro”.

O Comef ainda destacou que o conselho de administração do FGC aprovo plano de recomposição de liquidez, iniciado em março deste ano. No caso das liquidações envolvendo instituições do Master, o valor garantido soma R$ 51,8 bilhões, sem considerar empréstimos emergenciais feitos ao Master e ao Will Bank.

Desde novembro, o BC colocou sob regime de liquidação extrajudicial sete instituições do conglomerado: o Banco Master, o Banco Master de Investimento, o Banco Letsbank, a Master Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários, o Will Bank e o Banco Master Múltiplo.

O Comef também ressaltou os ajustes feitos nas regras de instituições associadas ao FGC em 2023 e 2025. Em ambos os casos, o BC apertou as normas de alocação de recursos em títulos públicos federais. Na ação do ano passado, o objetivo era desincentivar as instituições a usarem captações garantidas de forma desproporcional. Segundo o comitê, essas mudanças “já produzem efeitos, contribuindo para a redução do número de instituições financeiras com elevada dependência de funding garantido pelo FGC”.

Além de FGC e Master, o Comef tratou de riscos cibernéticos. O colegiado destacou a necessidade de fortalecimento “contínuo” dos mecanismos de gestão de riscos “com especial atenção à resposta a incidentes cibernéticos e ao monitoramento operacional contínuo”.

O tema ganhou centralidade após os ataques cibernéticos contra Prestadores de Serviços de Tecnologia da Informação (PSTIs), que conectam instituições à Rede do Sistema Financeiro Nacional (RSFN), em 2025. Essas instituições passam por um período de adaptação após o BC promover aperto nas regras de governança e segurança.

Na avaliação sobre o nível de provisões do sistema financeiro, o colegiado destacou que as reservas dos bancos continuam compatíveis com as perdas esperadas. No entanto, pontuou que o número de instituições financeiras com provisão inferior à estimada pelo BC aumentou. “Contudo, na grande maioria dos casos, o nível de capitalização é suficiente para absorver eventuais ajustes”, disse o Comef. Com informações do portal Valor Econômico.

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