Segunda-feira, 05 de Janeiro de 2026

Home Economia Após ganhar a simpatia do mercado financeiro, presidente do Banco Central enfrenta tensão no caso do Banco Master

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Ao declarar ter “antipatia” e “resistência” a mudanças no IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) um dia depois de o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ter anunciado a medida e recuado em parte dela, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, escancarou publicamente pela primeira vez um desalinhamento entre eles.

A alta do tributo foi recebida como uma bomba pelos investidores, que temiam uma saída acelerada de recursos do país e interpretaram a medida do governo como tentativa de controle de capital. A repercussão negativa atingiu Galípolo instantaneamente e, ao atuar para contornar o estrago, sobraram cobranças dos dois lados nos bastidores.

Fontes ouvidas pelo jornal “Folha de S.Paulo” definem esse episódio como um marco na caminhada do chefe do BC para conquistar credibilidade e a confiança do mercado em seu primeiro ano no comando. Para muitos, Galípolo é hoje muito mais popular no mercado financeiro que Haddad.

Isso porque, enquanto o ministro da Fazenda esgota seu capital político, o presidente do BC dá mostras de que bancará decisões que possam contrariar os anseios do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou de integrantes de seu governo.

Banco Master

O respaldo do mercado fortalece Galípolo no episódio de maior tensão desde que ele assumiu a presidência do BC: a crise do banco Master. No final de dezembro, associações de bancos e de fintechs se uniram em defesa da autoridade monetária:

“A presença de um regulador técnico e, sobretudo, independente do ponto de vista institucional e operacional, é um dos pilares mais importantes na construção de um sistema financeiro sólido e resiliente. As entidades signatárias reconhecem que o Banco Central do Brasil vem exercendo esse papel”.

Essa nota conjunta foi assinada por ABBC (Associação Brasileira de Bancos), Acrefi (Associação Nacional das Instituições de Crédito), Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e Zetta (associação que representa empresas do setor financeiro e de pagamentos), num raro alinhamento de entidades de diferentes perfis do mercado financeiro.

O apoio chegou em um momento em que Galípolo se colocava em rota de colisão com o STF (Supremo Tribunal Federal). Nos bastidores, a cúpula do BC diz se ver sob ataque desde que a liquidação do Master foi decretada, em novembro.

Ainda que o ministro Dias Toffoli negue que o BC tenha sido colocado em condição de investigado, a atuação do regulador entra na mira do STF ao impor que Daniel Vorcaro, dono do Master, Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB (Banco de Brasília), e Ailton de Aquino, diretor de Fiscalização do BC, fossem igualmente interrogados sobre o caso.

Toffoli acabou recuando, posteriormente, sobre a participação de Aquino na acareação realizada assim que foram concluídos os depoimentos. A Polícia Federal e o juiz auxiliar que atua no gabinete do magistrado avaliaram que a presença do diretor do BC não seria necessária.

A movimentação de Toffoli sugere que o ministro viu como prematura a decisão do BC de liquidar o banco, mas, na opinião de muitos investidores e banqueiros, o BC, na verdade, teria demorado demais a agir para parar Vorcaro.

Em meio ao caso Master, Galípolo teve reuniões com o ministro Alexandre de Moraes. O escritório da família de Moraes tem um contrato com o banco de Vorcaro.

Os encontros que o ministro do STF admitiu ter com Galípolo não foram incluídos na agenda pública do presidente do BC, e a nota divulgada pela autoridade monetária pouco convenceu. Ela diz apenas que o BC “confirma” que manteve reuniões com Moraes para “tratar dos efeitos da aplicação da Lei Magnitsky”, sanção imposta pelos Estados Unidos ao magistrado. O comunicado, porém, não negou que o assunto Master tenha vindo à tona.

Na reta final da análise da operação de compra do Master pelo BRB, que acabou rejeitada pelo BC, Galípolo também se viu na mira do Congresso Nacional. Vorcaro construiu conexões poderosas em Brasília, tendo relação próxima com políticos do centrão, principalmente o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI).

PP e outros partidos do centrão desencadearam uma ofensiva na Câmara dos Deputados para aprovar um projeto de lei que daria poderes ao Congresso para demitir integrantes da cúpula do BC. A medida acabou travada e sem perspectiva de avanço à medida que as investigações contra o Master progrediram.

Em novembro, após a liquidação do banco pelo BC e a prisão de Vorcaro, a PF informou que o Master havia repassado ao BRB R$ 12 bilhões em uma carteira de crédito inexistente. (com informações da Folha de S. Paulo)

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