Segunda-feira, 02 de Março de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 1 de março de 2026
A semana de altos e baixos para Tifanny terminou com o título da Copa Brasil de Vôlei por Osasco, em Londrina (PR). Liberada pela Justiça para atuar na competição depois de ser vetada pela Câmara da cidade paranaense, a jogadora de 41 anos saiu do banco na final contra o Minas e mudou o jogo para o time paulista. Eleita a melhor atleta em quadra, ela comemorou o bicampeonato da competição pela equipe – o quinto título no total.
Após o jogo, a atleta celebrou o título e agradeceu pelo apoio que recebeu de torcedores e de dirigentes que atuaram para que ela fosse liberada para jogar.
“Eu fico muito feliz, porque quando eu recebi a notícia (de que não poderia jogar), eu fiquei um pouco cabisbaixa. Mas quando eu vi que eu tinha o Brasil inteiro ao meu lado, que eu tinha a metade do Paraná ao meu lado, CBV, clubes, lutando pelo meu direito, eu me senti tão acolhida”, disse Tifanny.
“Eu falei, Senhor, eu vou fazer o que merecer por todas as pessoas que estão ao meu lado. Obrigado a CBV, obrigado Osasco, obrigado a cada um que mandou amor para mim”.
Na sexta-feira (27), antes da semifinal contra o Sesc-Flamengo, Tifanny foi recebida com festa no ginásio do Moringão, em Londrina. Muitos torcedores gritaram o nome da jogadora na apresentação do time paulista, e a atleta carregou no colo uma criança que segurava um cartaz de apoio à ela.
Um requerimento da Câmara de Vereadores de Londrina havia vetado a participação da jogadora trans na partida, com base em uma lei municipal promulgada em 2024. Na sexta, no entanto, uma liminar concedida pela Justiça liberou a participação da jogadora, apontando a inconstitucionalidade da medida. O STF também foi acionado pela CBV e deu parecer favorável à atleta.
Com aval para atuar, Tifanny começou a final contra o Minas no banco. No terceiro set, quando a partida estava 1 a 1, ela entrou na posição de ponteira no lugar de Maira e deu ânimo novo ao time paulista. A jogadora marcou 15 pontos e recebeu o troféu Viva Vôlei de melhor em quadra.
Na entrevista, a jogadora também enviou uma mensagem à vereadora Jéssica Ramos Moreno, a Jessicão (PP), responsável pelo requerimento que tentou barrá-la da competição.
“Ao invés de você se preocupar comigo jogando, preocupe-se com o esporte da cidade, porque o vôlei de Londrina precisa de mais incentivo. Vá buscar incentivo para o esporte, ao invés de excluir, porque o seu trabalho é colocar a inclusão, não a exclusão”, afirmou.
Caso
Em abril de 2024, foi promulgada em Londrina a lei municipal 13.770, de autoria da vereadora Jéssica Ramos Moreno, a Jessicão (PP). A legislação afirma ser “expressamente proibida a participação de atleta cujo gênero seja identificado em contrariedade ao sexo biológico de seu nascimento em equipes e times esportivos e em competições, eventos e disputas de modalidades esportivas, coletivas ou individuais, cuja manutenção das atividades ou realização seja vinculada, direta ou indiretamente, à Prefeitura”.
Um dos parágrafos da lei inclui, no rol de proibições, não apenas pessoas transgênero, mas também termos como “gay, lésbica, bissexual” e até “cisgênero”.
Na semana que passou, Jessicão protocolou um requerimento em caráter de urgência solicitando o veto à participação de Tifanny. A medida teve 14 votos favoráveis e três contrários.
Já na tarde de sexta, o juiz Marcus Renato Nogueira Garcia, da Vara da Fazenda Pública de Londrina, no Paraná, concedeu uma liminar para que a jogadora de Osasco participasse da semifinal da Copa Brasil de Vôlei Feminino.
A decisão faz parte do processo iniciado pela Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), que contestou um requerimento aprovado pela Câmara Municipal para vetar que a jogadora trans competisse na cidade.
A entidade também protocolou uma contestação no Supremo Tribunal Federal (STF), que está sob relatoria da ministra Cármen Lúcia. A magistrada, que já atuou em casos relacionados ao tema, deu parecer favorável à jogadora.