Quinta-feira, 02 de Abril de 2026

Home Tecnologia Apple 50 anos: entenda como o design tirou da falência a big tech que criou o iPhone

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A Apple, gigante americana de tecnologia que completou 50 anos nessa quarta-feira (1º) como uma das empresas mais valiosas do mundo, já esteve à beira da falência. Foi a paixão pelo design que a tirou de sua maior crise e alterou profundamente a indústria de tecnologia.

Em 1977, um catálogo da Apple cravava: “Simplicidade é a sofisticação suprema”. Podia ser só o slogan ambicioso de uma empresa ainda iniciante, mas, meio século depois, ele provou ter sido a salvação da companhia.

Ainda que a ideia de interface gráfica já circulasse em círculos tecnológicos dos anos 1980, foi o Macintosh que mostrou à indústria que computadores pessoais precisavam partir de ideias como desktop, janelas e um mouse.

Com o iPod, aprendemos que dispositivos portáteis não precisam ter muitos botões físicos – às vezes, uma rodinha basta. E detalhes decretaram grandes mudanças, como o fim dos fones de ouvido, que morreu no iPhone 7 em 2016, e das mídias físicas, que começaram a desaparecer quando o MacBook Air dispensou o leitor de CDs, em 2008.

Todas foram escolhas de design precisas. A maior de todas elas definiu que um retângulo de vidro sensível ao toque seria o dispositivo de computação pessoal do século XXI. Foi uma quebra abrupta de paradigma, em uma época na qual os teclados físicos do BlackBerry representavam o que havia de mais moderno. Steve Jobs vetou o componente durante o desenvolvimento do iPhone.

Busca por experiência

“Pense em todas as inovações que poderíamos adotar se criássemos o teclado na tela por meio de um software”, disse ele a executivos da companhia, segundo a biografia escrita por Walter Isaacson. O que Jobs queria que seus engenheiros entendessem era que os consumidores não buscavam por dispositivos e sim as experiências que eles podiam entregar.

Com o espaço livre de tela, o celular da Apple poderia se adaptar a tarefas ainda inimagináveis.

Ao restante das outras marcas, só havia duas alternativas: resistir ou copiar. A Microsoft, que distribuía o Windows Mobile por meio de diferentes fabricantes, optou pelo primeiro caminho inicialmente – já é um clássico o vídeo de Steve Ballmer, então CEO da companhia, fazendo piada com o iPhone porque não tinha teclado. A empresa fundada por Bill Gates foi dizimada deste mercado em menos de uma década.

Já a Samsung preferiu se inspirar para desenvolver a linha Galaxy S, ainda hoje a única capaz de incomodar a maçã. A reação da Apple foi processar a gigante coreana em 2011 por quebra de patente ao copiar o design do iPhone – a disputa só acabou em 2018 com acordo de US$ 539 milhões pagos pela Samsung. É um marco irrefutável de como uma indústria inteira foi estabelecida a partir de um único projeto.

Internamente, o design já ocupava papel de destaque na companhia. Jony Ive, o chefe de design da companhia, reportava diretamente para Jobs, um arranjo de poder sem precedentes na indústria. Desde o lançamento do iMac, em 1998, até o final do elo com a gigante, em 2022, o britânico era visto como o segundo homem mais importante da companhia, atrás apenas do seu fundador.

“O design não leva desaforo para casa. Ele é uma prática aliada ao capital. Por mais que a gente necessite de experimentos monitorados para uma evolução de design, isso precisa ter prazo. A proposta de design da Apple aconteceu em um curto espaço de tempo, de 1997 a 2001. Isso é extremamente inovador”, afirma Guilherme Godoy, professor do curso de design de produtos e gráfico do Centro Universitário Belas Artes.

Ele explica que Jobs era o responsável por articular o “trânsito comercial” do design, ou seja, transformar a visão estética em um produto viável e desejado pelo mercado. Parece ter dado certo: quando voltou para a Apple em 1997, Jobs escutava de analistas que a companhia tinha dinheiro para apenas mais 90 dias de operação. O fundador tinha voltado para empresa após ter sido forçado a deixar a Apple em 1985, após conflitos com o então conselho de administração.

No seu retorno, ao colocar o design no centro daquilo que a Apple fazia, a versão moderna da companhia, ancorada pelo iMac e pelo iPod, foi criada – o que posteriormente a fez se tornar a empresa mais valiosa do mundo. (Com informações do jornal O Globo)

 

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