Sábado, 10 de Janeiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 9 de janeiro de 2026
O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, começa a deixar mais claro qual é o seu plano para a maior riqueza da Venezuela: o petróleo.
Trump não fez questão de esconder, desde o dia da operação especial, que as reservas gigantes e subutilizadas do país estão no seu alvo, mas foi vago ao dizer que pretende reativar a indústria petrolífera venezuelana de acordo com os interesses dos EUA e sob a sua tutela.
Com o passar dos dias, esse plano está ficando mais evidente, com Trump dando os contornos de um grande negócio. Na quinta-feira (8), definiu que pretende controlar a indústria e o comércio de petróleo do país “indefinidamente”, uma afirmação que, por ora, é rejeitada pela presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez.
O líder americano já indicou que:
• pretende controlar “indefinidamente” a venda do petróleo do país, incluindo os barris armazenados impedidos de serem embarcados para fora pelos embargos econômicos impostos pela Casa Branca;
• quer manter dólares obtidos com a venda de petróleo venezuelano sob gestão do Tesouro dos EUA;
• vai dar acesso privilegiado às petroleiras americanas às reservas da Venezuela em troca de investimentos bilionários para modernizar a infraestrutura petrolífera do país;
• buscará ressarcimento por estruturas de petroleiras americanas nacionalizadas pelo chavismo;
• abrirá mercado para produtos americanos na Venezuela, a serem pagos pelos dólares gerados pelo petróleo.
Na terça-feira (6), Trump já havia anunciado que o governo interino de Delcy Rodríguez entregará até 50 milhões de barris de petróleo aos Estados Unidos. E frisara que as receitas estimadas em US$ 2,8 bilhões (R$ 15,4 bilhões) aos preços atuais de mercado serão “controladas” pelos EUA.
Dois dias depois, em meio às confusas e autoelogiosas declarações de Trump, o secretário de Energia dos EUA, Chris Wrigth, deu a explicação mais clara até agora sobre a estratégia de Washington para levar o petróleo bruto da Venezuela ao mercado internacional e administrar a indústria extrativa do país, ainda que por meio de uma forma — nem tão velada assim — de coerção do governo da presidente interina do país, Delcy Rodriguez.
Wright falou em uma conferência do banco Goldman Sachs que inicialmente, os barris viriam do estoque que a Venezuela mantém, que vem aumentando em meio ao bloqueio dos EUA e ameaçam forçar a paralisação de parte da produção.
“Vamos simplesmente fazer esse petróleo voltar a circular e vendê-lo. Vamos comercializar o petróleo que sai da Venezuela. Primeiro esse petróleo estocado e represado e, depois, indefinidamente, venderemos a produção que sair da Venezuela”, declarou Wright.
Logo em seguida, a secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que os Estados Unidos têm “influência máxima” sobre o governo interino da Venezuela e já começaram a comercializar o petróleo bruto venezuelano.
A ideia é manter a receita das vendas em contas do Tesouro dos EUA, “medida que protegeria os recursos dos credores da Venezuela. Os fundos beneficiarão os povos americano e venezuelano”, disse a porta-voz.
Mais tarde, o próprio Trump reforçou o desenho da estratégia, como se descrevesse um negócio, acrescentando que o plano de seu governo é a Venezuela só possa comprar produtos fabricados nos EUA com o dinheiro a ser gerado pela venda do seu petróleo.
Plano geral
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que o governo de Trump estruturou um plano geral em três fases para a Venezuela, com o petróleo exercendo um papel central.
Segundo ele, a primeira etapa é a estabilização do país, evitando caos. A fase seguinte, que chamou de recuperação, incluirá a garantia de acesso justo de empresas americanas e de países ocidentais ao mercado venezuelano, com importante ênfase no petróleo. Já a terceira parte contemplaria a transição política no país.
Rubio afirmou que parte da estabilização inclui uma “quarentena” da Venezuela no mercado internacional. E enfatizou que Washington “não está improvisando”.
Trump está pressionando as empresas petrolíferas dos EUA, como Chevron, ConocoPhillips e Exxon Mobil , a reconstruírem a infraestrutura da Venezuela e a reativarem a produção, agora que os EUA destituíram o ex-presidente Nicolás Maduro.
O governo Trump também fala em reembolso de ativos perdidos no passado. Grandes petroleiras dos EUA e de países ocidentais tentam há anos recuperar dezenas de bilhões de dólares que afirmam ter a receber da Venezuela como compensação por estruturas nacionalizadas pelo chavismo. As informações são do jornal O Globo.