Sexta-feira, 25 de Setembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 25 de setembro de 2026
Argentina poderá registrar em 2027 uma receita de aproximadamente US$ 40 bilhões com as exportações agrícolas, segundo projeção da Bolsa de Comércio de Rosário. Se o resultado se confirmar, será o segundo maior valor anual já registrado pelo setor, atrás apenas do desempenho de 2022. Para 2026, a estimativa é de US$ 35,2 bilhões em receitas provenientes dos embarques agrícolas.
A projeção considera a combinação entre uma produção elevada e preços internacionais favoráveis para algumas das principais commodities exportadas pelo país. Também entram no cenário as dificuldades enfrentadas por produtores de outras regiões do mundo, o que pode ampliar o espaço da Argentina no mercado internacional de grãos.
As exportações do agronegócio têm papel central na economia argentina. A entrada de dólares gerada pelos embarques de soja, milho, trigo e outros produtos agrícolas é uma das principais fontes de moeda estrangeira do país e contribui para o abastecimento das reservas internacionais.
O cenário positivo para 2027 ocorre após estimativas de crescimento da produção de importantes culturas na temporada 2026/27. A Bolsa de Cereais de Buenos Aires projeta uma colheita de 53,6 milhões de toneladas de soja, acima dos 50,1 milhões de toneladas registrados na temporada anterior. Para o milho, a previsão é de 66 milhões de toneladas, ante 64 milhões no ciclo 2025/26.
Com esses resultados, a produção total de grãos do país poderá alcançar um novo recorde. A estimativa da Bolsa de Cereais de Buenos Aires aponta para até 157,9 milhões de toneladas na safra 2026/27. A instituição, porém, ressalta que o resultado dependerá da evolução das condições climáticas e das decisões dos produtores ao longo da temporada.
O desempenho do trigo apresenta uma perspectiva diferente. Para a safra 2026/27, a previsão da Bolsa de Cereais de Buenos Aires é de 23,4 milhões de toneladas, abaixo das 27,8 milhões de toneladas produzidas no ciclo anterior. A Argentina, no entanto, permanece entre os principais fornecedores mundiais do cereal.
Outra estimativa divulgada pela Bolsa de Comércio de Rosário prevê 47,8 milhões de toneladas de soja na safra 2026/27, enquanto a produção de milho pode ficar entre 67,5 milhões e 70,5 milhões de toneladas. A diferença entre as projeções das duas instituições está relacionada a metodologias e períodos distintos de avaliação das lavouras.
Além da perspectiva de uma produção elevada, o mercado internacional também influencia as expectativas para as exportações argentinas. A oferta de grãos de algumas regiões produtoras vem sendo afetada por problemas climáticos e dificuldades logísticas, enquanto conflitos internacionais alteram as rotas tradicionais de comércio.
No caso do milho, a Argentina vem ampliando sua participação nas exportações. Em agosto e setembro de 2026, os embarques do cereal estão projetados em níveis recordes, favorecidos por uma safra elevada e pelo aumento da demanda internacional. A redução da disponibilidade de alguns concorrentes também abriu espaço para fornecedores argentinos em determinados mercados.
A expectativa de aumento das receitas agrícolas ocorre em um momento em que o governo argentino busca fortalecer as reservas em moeda estrangeira e manter maior estabilidade no mercado financeiro. Nesse contexto, o desempenho das exportações do agronegócio tem impacto direto sobre a disponibilidade de dólares para a economia.
O resultado efetivo de 2027, contudo, dependerá da combinação entre produção, preços internacionais, condições climáticas e demanda externa. As projeções atuais representam estimativas para a próxima temporada e poderão ser revisadas conforme o avanço do ciclo agrícola.