Quinta-feira, 08 de Janeiro de 2026

Home Política “As quedas são as minhas grandes preocupações neste momento”, diz o cirurgião de Bolsonaro

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O médico Claudio Birolini se tornou o responsável pelas cirurgias do ex-presidente Jair Bolsonaro em abril do ano passado. Desde então, já foram três procedimentos, sendo o mais recente feito há duas semanas para o tratamento de hérnia inguinal bilateral, no Hospital DF Star, em Brasília, do complexo da Rede D´Or. Em entrevista ao jornal O Globo, o diretor técnico do Departamento de Cirurgia do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (FMUSP) e chefe do Grupo de Hérnias do HC falou do estado de saúde do ex-presidente, das recomendações médicas que devem ser seguidas na Superintendência da Polícia Federal (PF), onde ele cumpre pena, e do risco atual de quedas.

1) Como foi a queda que Bolsonaro sofreu dentro da Superintendência da Polícia Federal?

Sei que ele bateu a cabeça de leve em um móvel perto da cama. O ideal de qualquer forma é fazer um exame para detalhar. Mas lembre-se, Bolsonaro está em um ambiente que não é o dele, dormindo em uma cama relativamente estreita e usando todas as noites o CPAP, um aparelho no rosto para tratar apneia, ligado a uma tomada. É risco para quedas. E as quedas são as minhas grandes preocupações neste momento. Ele tem 70 anos. É corpulento, mas tem fragilidades de uma pessoa da idade dele.

Você pode ver que, na maioria dos hospitais, coloca-se uma pulseirinha no braço de um idoso com o alerta de risco de queda. Além disso, ele tem uma tendência natural a tropicar, a cair, é um pouquinho estabanado na forma de levantar-se, de andar. Você pode notar que ele não anda exatamente em linha reta. Ele já foi avaliado sob ponto de vista neurológico para ver se havia algum problema, nada foi identificado. É dele isso.

2) Ele recentemente reclamou do barulho do ar-condicionado, isso de fato pode ser um problema?

Lógico. Imagina você ficar 24 horas com um rumor constante. Isso tem de ser considerado sob ponto de vista médico. É irritante, insalubre, especialmente para alguém com o quadro dele.

3) Qual é o estado de saúde dele agora e quais são as recomendações médicas?

Ele requer cuidados, mas neste momento a saúde gastrointestinal está estável. Quero citar aqui que trabalho com uma equipe de primeira de médicos, as decisões são tomadas em conjunto, especialmente com os cardiologistas Leandro Echenique e Brasil Caiado.

Bolsonaro toma medicamentos importantes, como a gabapentina e a clorpromazina para o controle do soluço e um antidepressivo. São medicações que devem ser administradas em horários fixos. Ele tem de fazer fisioterapia respiratória e motora e atividade física diariamente. A alimentação deve ser fracionada em porções maiores e em quantidades menores. Deve mastigar bem, engolir devagar. Tem que ter acompanhamento nutricional e fazer medição de impedância corporal.

Ele engordou 8 kg, perdeu massa muscular e ganhou massa gorda desde que saiu da prisão domiciliar e foi para a Superintendência da Polícia Federal. Ele não pode engordar por vários motivos. Um deles é a apneia intensa. Na mais recente avaliação que fizemos, ele teve 50 episódios de interrupção do sono por hora. Isso não é bom, não apenas para a qualidade do sono, mas para a saúde em geral. Pedimos a avaliação da pressão arterial três vezes ao dia também.

4) Quais são as chances de acontecer um novo problema no trato intestinal?

Todo paciente com histórico de múltiplas cirurgias abdominais tem aderências intestinais. Não tem como evitar a formação dessas aderências ao longo da vida. O problema é que, em algumas situações, elas podem predispor a uma obstrução intestinal. Ele tem sequelas múltiplas do atentado a facada e das cirurgias que foram feitas, embora o problema original que motivou a última operação, as obstruções intestinais, tenha sido aparentemente saneado na cirurgia de abril do ano passado.

Mas ele tem outras marcas que são permanentes. Ele perdeu um pedaço do intestino, tem sequelas na parede intestinal, uma atrofia significativa de alguns músculos da parede abdominal, tem uma tela que nós colocamos para conter e evitar a formação de novas hérnias. (Com informações do jornal O Globo)

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