Sábado, 14 de Março de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 13 de março de 2026
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia que o assessor do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para assuntos relacionados ao Brasil, Darren Beattie, teria omitido o real objetivo de sua viagem ao país e transformado a visita em um gesto de natureza política.
De acordo com auxiliares do governo brasileiro, Beattie informou às autoridades que viria ao Brasil para participar de um evento em São Paulo sobre terras raras e minerais críticos. No entanto, integrantes do Palácio do Planalto afirmam que, paralelamente ao compromisso técnico, o assessor teria planejado encontros de caráter político que não teriam sido mencionados no pedido formal de visto.
Na avaliação de governistas, esse planejamento teria ficado evidente após o ex-presidente Jair Bolsonaro solicitar ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorização para receber uma visita de Beattie enquanto cumpre prisão. O pedido chegou a ser inicialmente autorizado, mas a decisão foi posteriormente revista e negada por Moraes.
A sequência de eventos reforçou, segundo interlocutores do governo, a percepção de que a viagem do assessor norte-americano tinha objetivos que iam além da participação no encontro sobre mineração e recursos estratégicos.
Diante desse cenário, o governo Lula decidiu recorrer ao princípio da reciprocidade, um dos pilares tradicionais das relações diplomáticas entre países, para justificar a revogação do visto de Darren Beattie. Esse princípio prevê que medidas adotadas por um país em relação a outro podem ser respondidas de forma equivalente na condução da política externa.
No entendimento de integrantes do governo, a aplicação desse mecanismo também possui um componente político. A medida foi interpretada internamente como uma forma de reagir às iniciativas de aliados de Trump que buscam ampliar a influência da agenda internacional associada ao movimento político do ex-presidente norte-americano.
Essa agenda é frequentemente relacionada ao conceito de política externa conhecido como “America First”. A doutrina, cujo nome pode ser traduzido livremente como “América em primeiro lugar”, orienta parte das propostas defendidas por Trump e seus aliados. Entre os princípios associados a essa visão está a ideia de reavaliar o papel global dos Estados Unidos, incluindo a presença militar do país em diferentes regiões, com foco na proteção de interesses considerados prioritários no hemisfério ocidental.
A decisão de revogar o visto de Darren Beattie foi interpretada por integrantes do governo brasileiro como um gesto político destinado a responder ao que consideram uma aproximação entre aliados de Bolsonaro e integrantes do círculo político de Trump.
A avaliação dentro do Palácio do Planalto é que esse tipo de articulação ganha relevância em um ano de eleições presidenciais no Brasil, cenário que amplia a sensibilidade em torno de movimentações políticas envolvendo atores estrangeiros. (Com informações do portal de notícias g1)