Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 11 de janeiro de 2026
Levantamento feito pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) aponta para um possível ataque coordenado a instituições como o Banco Central (BC) e a própria federação, no final de 2025. Reportagem do jornal O Estado de S. Paulo analisou o conteúdo, os horários das postagens e os pontos em comum entre os materiais publicados.
Apesar de diferenças na maneira do pronunciamento nos vídeos, as postagens apresentam elementos em comum. Todos os influenciadores publicaram conteúdos no final de dezembro, tendo como referência o mesmo conteúdo, que seria uma possível revisão da liquidação do Master.
Outra semelhança é que, embora adaptado ao estilo de cada perfil, o discurso compartilhado nas redes sociais sugere desconfiança sobre a atuação dos órgãos reguladores e questiona a “rapidez” da decisão. Em nenhum dos casos, as publicações foram identificadas como publicidade.
Os influenciadores que fizeram as postagens negam qualquer envolvimento ou articulação conjunta.
Com exceção da influenciadora Carol Dias e de seu irmão André Dias, que comandam o Irmãos Dias Podcast, voltado a investimentos, os demais influenciadores citados não têm atuação no mercado financeiro. A maioria alimenta a conta com publicações de entretenimento, principalmente comentários sobre a vida pessoal de celebridades.
No caso de Carol Dias, em 9 de dezembro, ela publicou um vídeo afirmando que o Banco Master havia “desmoronado” e que os impactos poderiam atingir “municípios e aposentadorias”. Já em 29 de dezembro, o tom mudou e passou a ser um questionamento da decisão do BC. Procurados pelo Estadão, os influenciadores André e Carol Dias não se manifestaram.
O ataque coordenado entrou na mira da Polícia Federal (PF), que tem indícios de que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, ordenou as ações virtuais.
Coach
Entre os influenciadores citados está Paulo Cardoso, que se apresenta como hipnoterapeuta, neuropsicanalista e especialista em mente inconsciente e liberdade humana. No vídeo publicado dia 19 de dezembro, Cardoso afirma que “quando um órgão como o Tribunal de Contas da União (TCU) entra no caso, é porque tem coisa errada”.
Em publicação feita no dia 30, ao comentar uma notícia da jornalista Malu Gaspar, de O Globo, Cardoso afirmou que “não recebeu nada”, em resposta às acusações de que teria sido pago para criticar o BC. Disse ainda não ter assinado contrato “com banco nenhum” e sustentou que suas opiniões são “100% livres”.
Fofocas
O levantamento da Febraban mostra que páginas de conteúdos relacionados a celebridades passaram a veicular posts com informações sobre o Banco Master.
Conforme apurado pela reportagem do Estadão, por trás de uma das páginas, a Alfinetei, estão três sócios ligados a pelo menos cinco empresas formalmente registradas e a uma rede de perfis que soma quase 40 milhões de seguidores.
O principal nome é João Guilherme Chagas Gabriel, sócio-administrador das empresas citadas. Em seu perfil pessoal no Instagram, ele publica fotos de viagens e se apresenta como CEO de seis páginas, embora os registros formais indiquem cinco.
Outro sócio é Marcos Almeida de Lima, também sócio-administrador das empresas ligadas às páginas Alfinetei e Babadeira, que igualmente compartilharam conteúdos sobre a liquidação do Banco Master.