Segunda-feira, 17 de Janeiro de 2022

Home em foco Até agora, a variante ômicron causou só sintomas leves de covid

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Um estudo com pessoas hospitalizadas no atual surto da variante ômicron do
coronavírus na África do Sul constatou um padrão de sintomas mais leves da doença do que as ondas anteriores da covid-19. No entanto, os autores do estudo, e cientistas em geral, alertam que ainda é cedo para dizer com certeza se a nova cepa altamente contagiosa é menos violenta que as anteriores.

Nos EUA, os órgãos de saúde disseram ontem que a Agência de Alimentos e
Medicamentos (FDA, na sigla em inglês) quer agilizar a autorização para a produção de vacinas reformuladas, se necessário em resposta à nova variante.

“A FDA agirá rapidamente e o CDC agirá rapidamente em seguida”, disse Rochelle Walensky, diretora do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). Ela acrescentou que “estamos ouvindo todos os dias sobre mais e mais casos”.

Walensky disse que a ômicron já foi identificada em 15 Estados americanos, mas as autoridades acreditam que as vacinas possam evitar as manifestações graves da doença e manter as pessoas longe dos hospitais.

No Reino Unido, o governo apertou mais as restrições às viagens, depois que as autoridades de saúde disseram acreditar que as pessoas recém-infectadas com a variante ômicron podem começar a disseminar o vírus mais rápido do que as cepas anteriores. Os viajantes que chegarem de qualquer parte do mundo precisarão de um teste negativo para entrar no país.

O Departamento de Saúde e Assistência Social do Reino Unido disse que análises indicam que a janela entre a infecção e a capacidade de contágio pode ser menor para a variante ômicron, o que aumenta a eficácia dos testes antes das partidas, uma vez que é mais provável a identificação dos casos positivos antes da viagem.

Juntas, as constatações somam-se a um quadro cada vez maior mas ainda incompleto sobre a ômicron, que provocou o fechamento de fronteiras em todo o mundo, bem no momento em que se aproxima o período de festas de fim de ano, trazendo de volta a questão sobre quando o mundo poderá finalmente deixar a pandemia para trás.

O cenário que emerge da África do Sul, centro do surto da ômicron, é de que a variante provavelmente é mais contagiosa do que as versões anteriores do vírus e pode ser capaz de contornar mais facilmente a imunidade conferida pela infecção anterior. Ela exibe dezenas de mutações, algumas ligadas à disseminação mais rápida e algumas cujas propriedades ainda são totalmente desconhecidas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) designou a ômicron como uma “variante de preocupação”. A África do Sul informou ontem 16.366 novos casos, comparado a cerca de 100 por dia no começo de novembro.

O que não está tão claro, segundo cientistas, é o grau de proteção das vacinas contra a infecção e a formas mais graves da doença com a ômicron, e se a cepa é semelhante as versões anteriores na gravidade da doença que ela tende a causar. Os cientistas estão trabalhando para responder essas dúvidas e dezenas de estudos que estão sendo conduzidos ao redor do mundo.

Anthony Fauci, principal assessor de saúde da Casa Branca, disse que especialistas em saúde estão estudando a variante para aprender mais sobre a gravidade da doença causada por ela. “Até agora, embora seja muito cedo para fazer qualquer declaração definitiva sobre isso, ela não parece ser muito grave.”

Em um relatório divulgado pelo South African Medical Research Council, médicos de um hospital de Tshwane, que se encontra no centro do surto da ômicron na província sul-africana de Gauteng, disseram que das 42 pessoas tratadas com covid-19 em 2 de dezembro, 70% não precisaram de oxigênio para respirar. Entre as que receberam oxigênio, nove sofriam de pneumonia induzida pela covid-19, e outras quatro receberam oxigênio suplementar para condições não relacionadas à covid.

“Esse é um quadro que não foi visto nas ondas anteriores”, disse Fareed Abdullah, diretor do Escritório de Pesquisas sobre Aids e Tuberculose do Conselho Sul-Africano de Pesquisas Médicas, e principal autor do estudo. Durante as ondas anteriores de contágio na África do Sul, a maioria das pessoas internadas nos hospitais precisou de oxigênio, segundo ele.

Uma análise de acompanhamento de 166 pacientes de covid-19 admitidos no mesmo hospital entre 14 de novembro e 29 de novembro, constatou que a maioria tinha menos de 50 anos e não era vacinada, sendo que a maior parte dessas pessoas foram internadas por outros motivos que não a covid-19. O tempo médio de permanência na ala de tratamento da covid do hospital depois do diagnóstico foi de 2,5 dias, comparado à permanência média dos pacientes de 8,5 dias nos 18 meses anteriores.

Dez mortes foram registradas no período, ou 6,6% das pessoas analisadas. Cinco eram adultos com mais de 60 anos e quatro eram pessoas com idades entre 26 e 36. Uma criança morreu, mas sua morte não teve relação com a covid, segundo o estudo.

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