Quarta-feira, 22 de Julho de 2026

Home Variedades Até onde os amigos influenciam a saúde mental dos adolescentes? Entenda

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Durante a adolescência, os jovens se tornam especialmente sensíveis à influência dos colegas — mais do que em qualquer outra fase da vida. Mas como isso afeta a saúde mental?

Um novo estudo realizado na Finlândia analisou dados de mais de 600 mil jovens nascidos entre 1985 e 2000 — abrangendo tanto a geração dos millennials quanto a primeira geração Z.

Os pesquisadores descobriram que pessoas cujos colegas haviam sido diagnosticados com algum transtorno de saúde mental, como ansiedade ou depressão, apresentavam maior probabilidade de desenvolver uma condição semelhante.

Segundo os autores, os resultados reforçam a hipótese da “transmissão social” dos transtornos mentais. No entanto, é importante ter cuidado com essa interpretação: isso não significa que essas condições sejam contagiosas, como acontece com doenças infecciosas.

Diversos outros fatores, incluindo a predisposição genética, também influenciam a saúde mental dos adolescentes. Além disso, os dados utilizados no estudo não permitem afirmar que esses “colegas” fossem, de fato, amigos próximos.

Transtornos mentais estão aumentando entre os jovens

Em todo o mundo, os casos de depressão e ansiedade vêm crescendo entre adolescentes e jovens.

Na Austrália, por exemplo, dados recentes mostram que a prevalência de ansiedade entre jovens aumentou de 13% para 28% nos últimos 15 anos, enquanto as tentativas de suicídio dobraram.

Apesar da maior conscientização sobre saúde mental e da ampliação dos serviços de atendimento, os jovens enfrentam hoje desafios psicológicos mais graves e complexos do que nunca.

Sabe-se que tanto a família quanto os amigos exercem papel importante na saúde mental. Fatores familiares — incluindo a genética — e fatores ambientais — como as relações com os colegas — contribuem de forma distinta para o desenvolvimento dos transtornos mentais.

O que o estudo investigou
O novo estudo finlandês analisou a relação entre a saúde mental dos adolescentes e a de seus colegas.

O objetivo era verificar se conviver com alguém diagnosticado com um transtorno mental — ou com alguém cuja família tivesse histórico dessas condições — aumentaria a probabilidade de a própria pessoa receber um diagnóstico semelhante.

Para isso, os pesquisadores utilizaram registros nacionais da Finlândia, incluindo prontuários de saúde e dados de matrícula escolar.

Os principais resultados foram:

Jovens que tinham colegas diagnosticados com transtornos mentais — ou colegas com histórico familiar dessas condições, como ansiedade — apresentavam maior probabilidade de receber o mesmo diagnóstico.
Esse efeito foi mais forte entre estudantes que frequentavam a mesma escola do que entre aqueles que apenas moravam na mesma região, especialmente no fim da adolescência.

Com base nesses resultados, os autores afirmam que há evidências de uma “transmissão” do risco para transtornos mentais durante a adolescência.

Mas é preciso interpretar os resultados com cautela
Termos como “transmissão” ou “contágio” não têm aqui o mesmo significado utilizado para doenças infecciosas. Não é possível “pegar” um transtorno mental de outra pessoa.

Nesse contexto, esses conceitos descrevem como emoções, comportamentos e normas sociais podem se espalhar entre colegas ao longo do tempo, influenciando a saúde mental.

Por exemplo, quando um grupo de jovens fala mais abertamente sobre saúde mental e reduz o estigma em torno do tema, seus integrantes podem se sentir mais confortáveis para procurar ajuda — embora essa hipótese não tenha sido testada pelo estudo.

Além disso, tanto as relações entre colegas quanto os fatores genéticos fazem parte de um conjunto muito mais amplo de elementos que influenciam a saúde mental na adolescência.

Como o estudo definiu os colegas apenas com base no ano escolar ou na região onde moravam, os resultados provavelmente refletem também influências compartilhadas do ambiente.

Isso significa que esses adolescentes estavam expostos a contextos semelhantes, como a mesma cultura escolar, métodos de ensino ou características do bairro onde viviam, como a presença de áreas verdes.

O que o estudo não conseguiu avaliar
O grande número de participantes é um dos principais pontos fortes da pesquisa. No entanto, como ela foi baseada em registros administrativos e de saúde, existem algumas limitações.

Os dados, por exemplo, não permitem saber se os participantes realmente se conheciam ou eram amigos. Assim, os pesquisadores definiram as chamadas “redes de colegas” considerando apenas estudantes do mesmo ano escolar e da mesma idade ou pessoas nascidas no mesmo ano e residentes na mesma região. Com informações do portal O Globo.

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