Quarta-feira, 25 de Março de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 24 de março de 2026
A auditoria feita por técnicos do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre o trabalho do Banco Central na liquidação do Banco Master, identificou “projeções financeiras com erros primários” feitas pela instituição de Daniel Vorcaro e pelo Banco de Brasília (BRB) e “graves irregularidades” na operação entre os dois, como a negociação de ativos podres entre eles.
“A análise do indeferimento da operação entre o BRB e o Banco Master evidenciou graves irregularidades, como a negociação de ativos bilionários sem comprovação de sua existência, ausência de análise detalhada (due diligence), projeções financeiras com erros primários e exposição a riscos elevados sem estratégias adequadas de mitigação”, diz o texto.
O documento apontou que a ação do BC ocorreu dentro da lei, foi tecnicamente fundamentada e que não foram identificadas impropriedades, omissões ou negligência na atuação do Banco Central do Brasil.
Os documentos foram disponibilizados pela Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE), depois de meses de sigilo imposto pelo ministro Jhonatan de Jesus, relator do caso na Corte de Contas.
A auditoria dos técnicos do TCU também aponta que a diretoria do BRB seguiu com as operações com o Master mesmo diante de indícios de fraudes e reiterados pedidos de esclarecimentos do Banco Central.
“Os gestores do BRB demonstraram falta de diligência e possível gestão temerária ao prosseguir com as negociações, mesmo diante de indícios de fraudes e reiterados pedidos de esclarecimentos do Banco Central sobre as impropriedades identificadas na avaliação da viabilidade econômico-financeira da alteração decontrole societário”, dizem os técnicos.
O BRB comprou R$ 12,2 bilhões em carteiras podres do Master, conforme investigação da Polícia Federal. O banco trocou esses ativos por outros negociados com Daniel Vorcaro, mas ainda não apresentou o balanço completo do prejuízo, calculado em cerca de R$ 8 bilhões.
O banco público fez uma oferta para comprar parte do Master em março do ano passado, mas a operação foi negada pelo Banco Central em setembro. Em novembro, a PF deflagrou a Operação Compliance Zero e o Master foi liquidado pelo BC.
A auditoria encaminha como voto ao ministro Jhonatan de Jesus o arquivamento da ação que investigava o Banco Central por “suposta omissão”, além de notificar o Tribunal de Contas do Distrito Federal e o Ministério Público do Distrito Federal para “apuração de indícios de gestão temerária no âmbito do BRB”.
A atuação de Jhonatan no caso Master e o cerco ao Banco Central provocaram questionamentos sobre os limites do TCU no processo que envolve o sistema financeiro.
Além disso, auditores do TCU relataram a interlocutores pressões do ministro para influenciar a análise técnica do processo.
No Banco Central, a conclusão do relatório da Unidade de Auditoria Especializada em Bancos Públicos e Reguladores Financeiros (Audbancos) foi recebida com alívio porque reforça o caráter técnico do trabalho feito pelo BC durante o processo de análise da liquidação do Master.