Quarta-feira, 29 de Abril de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 28 de abril de 2026
O Banco Central (BC) deve retomar o ciclo de redução da taxa básica de juros, a Selic, nesta semana. A expectativa predominante do mercado é de um corte de 0,25 ponto percentual nos juros, que passaria dos atuais 14,75% para 14,5% ao ano ao fim da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), nesta quarta-feira (29).
A decisão ocorre em um cenário de atenção redobrada à inflação, que voltou a sofrer pressões externas recentes, especialmente devido à alta do petróleo em meio à escalada das tensões no Oriente Médio.
Segundo dados das opções de Copom negociadas na B3, cerca de 84% dos agentes financeiros trabalham com a probabilidade de um corte de 0,25 ponto percentual. A avaliação predominante é de continuidade do ciclo de flexibilização monetária, ainda que em ritmo gradual.
Uma parcela minoritária do mercado, equivalente a 7%, aposta na manutenção da taxa no patamar atual. Outros 7% projetam uma redução mais intensa, de 0,5 ponto percentual.
Cenário externo
Na ata da última reunião do Copom, o colegiado deixou os próximos passos em aberto diante do cenário externo mais adverso. Esse é o mesmo caminho adotado pelos analistas, pois o ambiente global adiciona incertezas ao processo de decisão do Banco Central, especialmente devido ao prolongamento e complexidade do conflito que coloca de um lado Estados Unidos e Israel e, de outro, o Irã.
A Selic é a principal taxa de juros da economia brasileira e funciona como referência para o custo do crédito no País. Ela influencia diretamente as taxas de empréstimos bancários e serve como base para investimentos de renda fixa, como o Tesouro Selic.
Na reunião anterior, o Copom promoveu o primeiro corte em quase dois anos, reduzindo a taxa de 15% para 14,75% ao ano. À época, o Banco Central destacou a convergência gradual da inflação à meta como justificativa para a mudança de direção na política monetária.
Inflação
O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), índice oficial de inflação, vem apresentando desaceleração. Em sua leitura mais recente, o indicador recuou para 4,1% em 12 meses, após ter alcançado 5,53%. Apesar da melhora, o índice ainda permanece acima da meta central perseguida pelo BC, de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual mais mais ou para menos.
Porém, em março, a inflação oficial acelerou para 0,88%, avanço de 0,18 ponto percentual em relação a fevereiro (0,70%). O resultado foi fortemente influenciado pelos grupos de Transportes e Alimentação e bebidas, que responderam, juntos, por 76% do índice no mês.
Além disso, o comportamento dos preços segue sensível a choques externos. Em março, os combustíveis tiveram alta de 4,47%, com destaque para o diesel (13,9%) e a gasolina (4,59%), refletindo o impacto da valorização do petróleo no mercado internacional.
Petróleo e tensões
A escalada do conflito no Oriente Médio elevou a volatilidade dos mercados de energia. O barril do petróleo Brent chegou a ultrapassar US$ 100 após ataques atingirem áreas estratégicas de produção e transporte, pressionando o fornecimento global da commodity.
Esse movimento amplia o desafio para autoridades monetárias, já que a alta dos combustíveis tende a contaminar cadeias de preços e dificultar o controle da inflação.
Cautela
Em meio ao cenário de incerteza, outros grandes bancos centrais também têm adotado postura conservadora. Estados Unidos, Reino Unido, zona do euro, Japão e China optaram por manter suas taxas de juros inalteradas nas últimas reuniões, citando riscos geopolíticos e pressões inflacionárias.
Para economistas, o Banco Central brasileiro deve seguir a linha de prudência, apesar de a maioria apostar em queda de 0,25 p.p. na reunião que termina nesta quarta.