Domingo, 29 de Março de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 28 de março de 2026
Um relatório de auditoria interna produzido pelo Banco de Brasília (BRB) já havia detectado, em 4 de abril de 2025, diversos indícios de que as carteiras de crédito consignado compradas do Banco Master eram falsas. Ainda assim, o BRB continuou comprando essas carteiras até o mês de maio.
Procurado, o ex-presidente do banco Paulo Henrique Costa afirmou que apenas tomou conhecimento desse relatório no fim de maio e enviou as informações ao Banco Central (BC) para verificação das irregularidades.
Na quinta-feira (26), o presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmou que em janeiro de 2025 a venda de carteiras já havia despertado a atenção da diretoria de fiscalização e, em fevereiro, foi constituído um grupo para começar a analisá-las.
Dados falsos
Conforme reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, chamou a atenção dos auditores que a base de dados entregue pelo Master ao BRB consistia em uma simples planilha com nomes, CPFs e dados dos contratantes dos créditos, completamente vulnerável a manipulações.
Ao verificar os dados, o relatório indicou que as planilhas estavam preenchidas com emails falsos e data de nascimento fictícia, de 1.º de janeiro de 1901, o que significaria que o contratante do crédito consignado teria 124 anos.
“Preenchimento de dados inverídicos, realizados para evitar campos em branco, incluindo inserções manuais como a data de nascimento em 01 de janeiro de 1901 ou o endereço de email fictício ‘naotem@hotmail.com’. Este procedimento compromete a integridade e precisão dos dados coletados”, diz o relatório.
Os auditores do BRB procuraram o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) para realizar um trabalho de checagem nos dados dos créditos consignados. Quando o Serpro verificou os CPFs da base de dados, descobriu que muitos deles não correspondiam a nenhum contrato de crédito consignado existente, o que reforçou o indício de falsidade.
Um último fator de risco detectado no relatório foi a existência de uma “alta incidência de reclamações” dos clientes que apareciam na base de dados de créditos consignados e que diziam nunca terem contratado o produto.
Esse relatório foi entregue ao comitê de auditoria do BRB, à época presidido por Marcelo Talarico, considerado homem de confiança de Paulo Henrique Costa.
De acordo com integrantes do banco, o relatório foi encaminhado apenas à presidência e nunca foi submetido ao conselho de administração do BRB. O relatório também não foi enviado aos órgãos de investigação na época. Ele foi entregue à Polícia Federal apenas no final do ano passado, após a deflagração da Operação Compliance Zero.
Em nota, a defesa de Paulo Henrique Costa disse que, “ao tomar conhecimento da existência das dúvidas sobre a integridade dessas carteiras, o ex-presidente Paulo Henrique Costa deu conhecimento ao Banco Central em 25/05/2025, exigiu a ampliação das verificações nessas carteiras, a contratação de uma auditoria independente, a apresentação de garantias adicionais pelo Banco Master e a substituição dessas carteiras”. (Com informações de O Estado de S. Paulo)