Domingo, 29 de Março de 2026

Home Economia Banco de Brasília precisa entregar até 31 de março uma saída concreta para os problemas gerados pelas perdas prováveis com os ativos recebidos do Banco Master

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O governo do Distrito Federal pediu ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) um empréstimo de R$ 4 bilhões para reforçar o capital do BRB após o rombo provocado pelas operações com o Banco Master. Como garantia, o DF ofereceu os nove imóveis cuja alienação foi autorizada por lei aprovada na Câmara distrital e participações acionárias nas estatais Caesb e CEB, além do BRB. As informações constam de ofício assinado pelo governador Ibaneis Rocha (MDB) e encaminhado ao FGC.

Pelo pedido, o empréstimo teria carência de 1 ano e seis meses e pagamentos semestrais e a remuneração consideraria o CDI mais spreads, observadas as condições definidas pelo FGC.

Pelas regras do BC, o banco precisa entregar até 31 de março, junto com o balanço de 2025, uma saída concreta para os problemas gerados pelas perdas prováveis com os ativos recebidos do Master em substituição aos R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito com suspeita de fraude.

O regulador estimava um buraco de ao menos R$ 5 bilhões no balanço da instituição, enquanto o BRB já prevê uma reserva de recursos (provisionamento) de R$ 8,8 bilhões e a necessidade de aporte de R$ 6,6 bilhões do controlador. Caso contrário, deve ser alvo de sanções do BC.

Como mostrou o colunista Fabio Graner, a ideia é obter um empréstimo que cubra pelo menos metade da necessidade de aporte de capital na instituição brasiliense, estimada entre R$ 6,6 bilhões e R$ 8 bilhões. O valor total do aporte deve ser completado com outras fontes de recursos, desde a formatação de um Fundo de Investimento Financeiro com os imóveis que não estão sendo contestados oferecidos pelo governo do DF, a venda da BRB Financeira.

Como a solução para o aporte de capital ainda não está finalizada, o BRB segue também em tratativas com o Banco Central para adiar o prazo de 31 de março para publicação do balanço do ano passado e o preliminar desse primeiro trimestre. Isso porque, se apresentar os dados que mostram um desenquadramento das regras do BC sem uma solução já definida, o banco pode ter mais dificuldades junto à autoridade monetária.

No ofício, Ibaneis afirma que o pedido de uma linha de suporte financeiro está voltada ao reforço de capital e à preservação de condições adequadas de liquidez. Também menciona que a operação visa a fortalecer a confiança de depositantes, investidores e contrapartes, mitigando riscos de contágio.

“Adicionalmente, a solicitação tem também o escopo de contribuir para a estabilidade do Sistema Financeiro Nacional e para a prevenção de crise bancária sistêmica.”

O governo do DF ainda colocou o BRB à disposição para fornecer informações e documentos necessários para avaliação de viabilidade, risco, estrutura e salvaguardas, bem como para atendimento a eventuais comunicações ao Banco Central no âmbito das tratativas.

Ibaneis ainda disse que vai enviar uma série de matérias para o fundo: plano de negócios, plano de capital, diagnóstico de necessidades e medidas internas em curso (capital, funding, liquidez, redução de risco); proposta de garantias e mapa de elegibilidade/ônus de ativos e minuta de cronograma de implementação e governança de monitoramento. (Com informações de O Globo)

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