Quarta-feira, 01 de Abril de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 31 de março de 2026
Um documento interno do Banco Regional de Brasília (BRB) revelou que o Banco Master afirmou ter comprado, por R$ 143,6 milhões, uma carteira de créditos podres da Tirreno no dia 4 de março de 2025, terça-feira de Carnaval. No dia seguinte, Quarta-Feira de Cinzas, o ativo foi repassado ao BRB por R$ 251,2 milhões.
Os créditos da Tirreno não existiam, na prática. Em depoimento, Vorcaro afirmou que não pagou nenhum real pelos títulos – mas eles foram revendidos ao banco estatal.
Ao longo do ano de 2025, o BRB tentou comprar o 58% das ações Banco Master por R$ 2 bilhões, mas a operação foi barrada pelo Banco Central, que liquidou o banco na mesma data em que prendeu o dono do Master, Daniel Vorcaro.
As transações estão destacadas em um relatório feito pelo grupo de trabalho do BRB criado para analisar as transações com o Banco Master.
O parecer, concluído em 19 de maio de 2025, chama a atenção ao fato da transação entre o Master e a Tirreno ter sido realizada em um feriado nacional, quando não há expediente bancário.
“Essa operação, realizada em um dia não útil, suscita dúvidas quanto à regularidade do trâmite e à observância dos procedimentos operacionais usuais, o que pode demandar esclarecimentos adicionais ou documentação complementar para validação da legitimidade do processo”, diz um trecho do parecer.
Revenda
No dia seguinte, Quarta-Feira de Cinzas, o Banco Master revendeu a mesma carteira de crédito ao BRB por R$ 251,2 milhões.
Na data da operação com o BRB, a carteira de crédito estava avaliada pelo Master em R$ 143,8 milhões, o que indica que o ágio – valor a mais que o comprador aceita pagar esperando lucrar com os juros futuros embutidos nas parcelas – foi de R$ 107,3 milhões.
Foi apenas em uma visita técnica realizada nos dias 29 e 30 de abril de 2025 que o BRB descobriu que boa parte das carteiras de créditos adquiridas do Master não tinham como fonte o banco de Daniel Vorcaro e sim a Tirreno.
Em reuniões virtuais e em outra visita técnica, o Master dizia que parte dos contratos vinha de uma “Associação”, mas sem identificar o nome da instituição. A identificação formal como Tirreno só veio na visita presencial, através do superintendente executivo de Tesouraria, Alberto Felix.
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Documentos internos do banco estatal mostram que, enquanto a compra do Master pelo BRB era avaliada pelo Banco Central, a equipe do banco de Vorcaro deixou de responder a cobranças formais e não esclareceu pendências relacionadas a carteiras de crédito adquiridas pelo BRB.
As investigações apontam que o BRB comprou R$ 12 bilhões em carteiras de crédito podres, que não pertenciam ao Master e não tinham garantias financeiras.
A suspeita é que o Banco Master não tinha fundos suficientes para honrar os títulos que emitiu, com vencimento em 2025. Comprou então créditos – sem realizar qualquer pagamento – da Tirreno para, em seguida, revender ao BRB. (Com informações do portal de notícias g1)