Domingo, 01 de Fevereiro de 2026

Home Economia Banco Master recebeu ultimato do Banco Central um ano antes de ser liquidado

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Uma comunicação enviada pelo Banco Master ao Banco Central em 7 de novembro de 2024 revela que o banqueiro Daniel Vorcaro se comprometeu a adotar uma série de medidas para melhorar a governança corporativa do Master e a recompor a saúde financeira do banco em um prazo de seis meses, até maio de 2025.

O ofício é uma resposta do Master a um termo de compromisso enviado pelo BC. O documento mostra que o Master recebeu uma espécie de ultimato da autoridade monetária sob a gestão do ex-presidente Roberto Campos Neto, um ano antes de ser liquidado pelo atual presidente, Gabriel Galípolo, em novembro de 2025.

A defesa de Vorcaro afirmou que o banco vinha cumprindo as medidas estabelecidas com o BC. “A defesa de Daniel Vorcaro esclarece que os compromissos assumidos pelo Banco Master junto ao Banco Central em novembro de 2024 estavam sendo cumpridos, conforme demonstrado no próprio acompanhamento realizado ao longo de 2025 ”,diz a nota.

Tese enfraquecida

O documento enviado ao BC, assinado por Daniel Vorcaro, enfraquece a tese do banqueiro de que ele foi pego de surpresa com a liquidação do Master. A ideia de que o BC “se precipitou” é também objeto de análise por parte do ministro Jhonatan de Jesus, do Tribunal de Contas da União (TCU).

Em depoimento à PF, o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, revelou que, no dia em que foi liquidado, o Master tinha apenas R$ 4 milhões em caixa e mais de R$ 127 milhões a pagar na mesma semana, o que mostra que o banco não tinha mais dinheiro para honrar as dívidas, que só estavam, havia meses, sendo pagas pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

O banco também já não recolhia mais de R$ 2 bilhões exigidos em depósitos compulsórios ao Banco Central. Em relatório enviado ao TCU, o BC informa que a partir de novembro de 2024 houve “diversos episódios de recolhimento insuficiente dos depósitos compulsórios por parte do conglomerado” do Master.

O compromisso firmado pelo Master com o Banco Central aconteceu após uma série de troca de ofícios com o órgão ao longo de 2024, com questionamentos sobre a situação do banco. Esses documentos estão sob sigilo imposto pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli.

Como mostrou reportagem de O Estado de S. Paulo, Campos Neto sabia dos problemas do Master e evitou intervir no banco, mas deu um prazo para a instituição melhorar seus indicadores, práticas de governança e gestão de risco. A medida foi adotada na reta final de sua gestão, encerrada em 31 de dezembro de 2024.

Coube ao Banco Central sob Gabriel Galípolo acompanhar o cumprimento desse termo de compromisso e aguardar até o fim do prazo, maio de 2025, antes que pudesse tomar qualquer iniciativa mais contundente contra o Master. Ainda assim, a liquidação só aconteceu seis meses depois, em novembro de 2025.

Entre as medidas exigidas pelo BC estavam que o banco passasse a ter ativos líquidos em caixa para poder cobrir os vencimentos das dívidas de curto prazo. Isso mostra que o banco em 2024 já estava com baixa liquidez para honrar os CDBs que emitiu pagando altas taxas de juros.

Enquanto não cumprisse os termos, o Master ficava proibido de fazer operações de longo prazo com crédito corporativo. Os investigadores suspeitam que esse esquema envolvia empréstimos para empresas que depois foram aplicados em fundos ligados à Reag Investimentos — investigada nas operações Carbono Oculto e Compliance Zero.

Com essa porta fechada pelo BC, Vorcaro teria colocado em prática um outro esquema, segundo a Polícia Federal, para injetar liquidez no banco. O Master acelera a venda de crédito consignado para o Banco de Brasília (BRB), a partir de janeiro de 2025, mas desta vez fazendo uma triangulação com uma empresa recém-criada, a Tirreno.

Pela versão da PF, a Tirreno foi uma empresa de fachada criada pelo próprio Master para fabricar carteiras de crédito e revendê-las ao BRB. De janeiro a junho de 2025, o BRB pagou ao Master R$ 12,2 bilhões, sendo R$ 6,7 bilhões pelas carteiras falsas e mais R$ 5,5 bilhões de prêmio. Em paralelo, o Master fechou acordo para ser comprado pelo BRB, no dia 28 de março, com a formação de uma nova instituição que teria Vorcaro no seu conselho de administração. (As informações são de O Estado de S. Paulo)

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