Sábado, 18 de Abril de 2026

Home Mundo Barcelona e Bogotá buscam conciliar expansão de ciclovias e eficiência nos transportes

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Ao desembarcar na estação Barcelona Sants, na capital da Catalunha (Espanha), o viajante busca a melhor maneira de chegar ao hotel, perto da Igreja da Sagrada Família, local icônico da cidade. O aplicativo de mapas estima que o percurso de cerca de 5 quilômetros a pé levaria 50 minutos. De carro, o mesmo trajeto é estimado em 14 minutos,  mesmo tempo se o caminho fosse feito de bicicleta.

A escolha foi o transporte público: 10 minutos para percorrer cinco estações de metrô. No trajeto, as perguntas sobre o que faz de Barcelona um exemplo em mobilidade urbana deixaram o campo teórico e passaram a ser empíricas.

Barcelona está presente com frequência como exemplo em levantamentos que avaliam a qualidade da mobilidade. Os primeiros minutos na cidade deixam algumas pistas. O trânsito não está caótico, talvez porque ser sábado, as motos e as bicicletas são mais presentes do que os carros, algo favorecido pelo clima mediterrâneo ameno, mesmo no fim do inverno europeu, e em algumas ruas o espaço destinado aos carros é inferior ao dos pedestres e bikes.

Uma experiência individual, no entanto, não pode explicar o coletivo, conforme observa o professor Oriol Marquet, coordenador de um grupo que pesquisa mobilidade, transporte e território na Universidade Autônoma de Barcelona (UAB). Em sua opinião, a fama da capital da Catalunha não reflete totalmente o dia a dia dos mais de 1,6 milhão de moradores.

Ele explica, porém, que existem lacunas fora da região central conhecida pelos turistas. Longos deslocamentos, dependência de veículos particulares, poluição e desigualdades de acesso persistem na área metropolitana, para onde boa parte da população está sendo empurrada pelo processo de gentrificação e alto custo de vida.

Exemplos como o de Barcelona não podem simplesmente ser copiados em outras cidades, afirma Marquet. “A grande força reside não apenas em políticas específicas, mas também em condições urbanas fundamentais, como densidade, desenvolvimento de uso misto, proximidade, continuidade urbana, ruas relativamente compactas”, argumenta. “O problema surge quando outras cidades tentam imitar os aspectos visualmente mais atraentes do modelo sem possuir esses pré-requisitos.”

Outra das iniciativas reconhecidas de Barcelona são as chamadas “superquadras”, quarteirões onde o tráfego de carros é proibido ou limitado e os cruzamentos foram transformados em áreas verdes.

Na hora de deixar Barcelona, pelo percurso inverso ao da chegada, a opção escolhida foi a bicicleta. Só que, em vez dos 15 minutos previstos pelo aplicativo, o trajeto do hotel para a estação de trem durou menos de dez. A Europa, aliás, parece mesmo apostar na bicicleta como alternativa para resolver gargalos de trânsito.

Colômbia

Com uma realidade mais próxima do Brasil, a colombiana Bogotá é famosa pelos grandes engarrafamentos. Estudos estimam que os moradores perdem oito horas por semana presos no trânsito. A metrópole latino-americana enfrenta ainda crescimento populacional e a urbanização desordenada, o que aumenta o desafio em termos de mobilidade.

Uma das tentativas foi a implantação do sistema de ônibus de trânsito rápido (BRT) TransMilenio, mas a demanda ainda é superior à oferta e há problemas de infraestrutura. A cidade também dobrou a aposta no uso das bicicletas, com a criação da rede de ciclovias mais extensa da América Latina, com 476 quilômetros – problemas sociais, como a insegurança, ainda inibem um maior uso.

A iniciativa mais reconhecida internacionalmente da cidade é o projeto que, há 50 anos, todos os domingos, fecha 127 quilômetros de algumas das principais vias para carros. O projeto Ciclovia de Bogotá foi copiado por outras cidades, criando espaços semanais para prática de esporte e lazer e desmotivando o uso do carro.

“O projeto é um símbolo da transformação urbana e social que marcou a vida de milhões de moradores”, afirma Daniel García Cañón, diretor do Instituto Distrital de Recreação e Esporte (IDRD), da prefeitura de Bogotá.

Desencorajar o uso do carro e aproximar as pessoas do transporte público foi a aposta da cidade-Estado de Singapura, na Ásia. Lá foi criado um sistema de pedágio urbano dinâmico – o valor é ajustado conforme o tráfego – e uma malha ferroviária ampla, fazendo com que os moradores estejam a minutos de uma estação.

Essas ações fazem com que Singapura apareça com frequência na liderança de rankings mundiais de mobilidade urbana. (com informações do portal Valor Econômico)

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