Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 20 de fevereiro de 2026
Escrevo este artigo em primeira pessoa porque acredito que a transição energética não é apenas um tema técnico ou econômico, mas uma questão existencial para o planeta. Quando observo o Brasil, vejo um país que já carrega em sua matriz energética quase metade de fontes renováveis. Isso não é pouca coisa: é um sinal de que temos condições de liderar globalmente um movimento que redefine como produzimos, consumimos e pensamos energia.
O que me chama atenção é que essa transformação não acontece apenas nas grandes usinas ou nas políticas públicas. Ela se materializa em espaços de encontro, debate e experimentação, como o que ocorrerá em Porto Alegre, em março de 2026. A BioTech Fair e o Congresso Internacional de Bioenergia não são apenas eventos: são laboratórios vivos da transição energética. Ali, biodiesel, biomassa, biogás, hidrogênio verde e resíduos sólidos se encontram em um mesmo palco, mostrando que a diversidade de fontes é a nossa maior força.
Ao caminhar por uma feira como essa, percebo que os expositores não estão apenas vendendo produtos ou serviços. Eles estão apresentando visões de futuro. Um biodigestor instalado em uma fazenda, por exemplo, não é apenas uma solução técnica: é a prova de que resíduos podem se transformar em energia limpa e em renda. Uma pesquisa com algas não é apenas ciência aplicada: é a possibilidade de criar biocombustíveis de alta densidade energética com baixo impacto ambiental. Cada estande, cada projeto, é uma peça de um mosaico que aponta para um mundo mais sustentável.
O público que visita esses espaços também é diferenciado. Não se trata de curiosos ocasionais, mas de profissionais que já atuam ou estão ingressando no mercado. Isso significa que o diálogo é qualificado, que as oportunidades de negócios são reais e que o networking se transforma em parcerias concretas. É nesse ambiente que vejo nascer não apenas contratos, mas também ideias que podem mudar a forma como pensamos energia.
Há algo que considero essencial: o papel das startups e das universidades. As chamadas climatechs, energytechs, agrotechs e biotechs são sementes de inovação que germinam em solo fértil. Elas trazem soluções criativas, ágeis e muitas vezes disruptivas. Ao lado delas, centros de pesquisa e programas de incubação oferecem conhecimento técnico e científico, criando um ciclo virtuoso de inovação. Quando esses atores se encontram em um espaço como a BioTech Fair, o resultado é um ecossistema pulsante, capaz de acelerar a transição energética.
Não posso deixar de mencionar que a Região Sul do Brasil tem um papel estratégico nesse processo. A concentração de matéria-prima, investimentos em unidades fabris e um mercado consumidor crescente tornam o território um polo natural para a bioenergia. Porto Alegre, ao sediar esse conjunto de eventos, reafirma sua vocação como hub de inovação e sustentabilidade.
Escrevo com a convicção de que a bioenergia não é apenas uma alternativa: é um caminho inevitável. O Brasil tem biodiversidade, capacidade agrícola e talento humano para transformar esse setor em motor da transição energética. Mas isso exige coragem para pensar diferente, para investir em soluções que ainda estão em estágio inicial, para acreditar que pequenas empresas e startups podem ser tão relevantes quanto grandes corporações.
Ao final, o que vejo é que a bioenergia não é apenas sobre tecnologia ou economia. É sobre futuro. É sobre a possibilidade de construir um mundo mais resiliente, inclusivo e verde. E cada feira, cada congresso, cada espaço de exposição é uma oportunidade de dar mais um passo nessa direção. Como desenvolvedor de negócios sustentáveis e ativista da transição energética, não consigo enxergar outra escolha: o futuro é renovável, e ele começa agora.
* Renato Zimmermann é desenvolvedor de negócios sustentáveis e ativista da transição energética
Contato: rena.zimm@gmail.com