Quinta-feira, 08 de Janeiro de 2026

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As lideranças políticas que apoiam o ex-presidente Jair Bolsonaro, assim como governadores e outros representantes da direita, avaliam que a crise na Venezuela pode provocar um novo distanciamento entre o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Para esse grupo, o cenário internacional atual abriria espaço para que o líder norte-americano assumisse uma posição mais clara nas eleições presidenciais deste ano no Brasil, favorecendo um candidato da direita e atuando de forma contrária ao petista.

Segundo aliados de Bolsonaro, as críticas feitas por Lula às ações dos Estados Unidos e a relação de proximidade do presidente brasileiro com o governo venezuelano tendem a pesar negativamente tanto no curto prazo quanto ao longo da campanha eleitoral. Na avaliação desse campo político, a associação de Lula com Nicolás Maduro pode ser explorada como um ponto de desgaste junto ao eleitorado e também no plano internacional.

A direita já vem utilizando as redes sociais para destacar essa proximidade entre Lula e o presidente da Venezuela. As publicações relembram episódios simbólicos, como a recepção oficial a Maduro no Brasil, quando o venezuelano foi recebido com honras de chefe de Estado, incluindo tapete vermelho no Palácio do Planalto. A estratégia, segundo apoiadores de Bolsonaro, é manter esse tema em evidência e intensificá-lo durante a campanha presidencial.

Aliados do ex-presidente afirmam que a narrativa será usada para reforçar a ideia de alinhamento ideológico entre Lula e governos criticados por Washington, o que, na visão deles, poderia dificultar a relação do Brasil com os Estados Unidos sob a liderança de Trump.

A equipe do presidente Lula, no entanto, refuta essa avaliação de um distanciamento automático entre os dois países. Diplomatas brasileiros ressaltam que relações internacionais envolvem convergências e divergências e que discordâncias pontuais não significam rompimento ou afastamento estratégico. Segundo eles, é comum que países mantenham diálogo mesmo quando há diferenças em temas específicos.

Assessores presidenciais também destacam que Trump possui interesses econômicos e políticos no Brasil, o que tornaria relevante para ambos os lados a manutenção de canais de negociação abertos. De acordo com integrantes do governo, Lula trabalha para preservar essa interlocução e não vê a atual crise como um obstáculo intransponível.

Por isso, a avaliação interna no Palácio do Planalto é de que não há elementos suficientes para caracterizar um afastamento estrutural entre Lula e Trump. Assessores acreditam que interesses comuns podem sustentar a relação e que a chamada “boa química” entre os dois presidentes tem condições de se manter.

Integrantes do governo citam exemplos históricos para sustentar essa leitura. Durante o governo de George W. Bush, Lula criticou publicamente a invasão do Iraque, mas isso não impediu que os dois mantivessem uma relação considerada positiva. Também lembram que as críticas recentes aos Estados Unidos não partiram apenas do Brasil, mas de diversos países durante a reunião do Conselho de Segurança da ONU. Segundo assessores, o representante norte-americano participou brevemente do encontro, limitando-se a marcar posição. (Com informações do colunista Valdo Cruz, do portal de notícias g1)

 

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