Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2026

Home Mundo Brasil evita ideologia e busca agenda positiva com governos de direita da América Latina

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou nesta terça-feira no Panamá e participa nesta quarta-feira do Fórum Econômico Internacional da América Latina e do Caribe com um objetivo claro em política externa: iniciar a construção do que interlocutores do governo brasileiro têm chamado de “o regionalismo possível”.

Em um ano eleitoral no Brasil e após a vitória de candidatos de direita em eleições recentes no continente — com destaque para Chile, Bolívia e Equador, onde Daniel Noboa foi reeleito em 2025 — o petista decidiu adotar uma postura mais realista nas relações internacionais.

Ciente de que a guinada à direita pode se aprofundar em 2026, com eventuais vitórias conservadoras na Colômbia e no Peru, o governo Lula tende a apostar na única forma de integração considerada viável nas atuais circunstâncias regionais e globais: a construção de uma agenda positiva, sobretudo econômica, mesmo com governos de orientação ideológica distinta.

Ofensiva diplomática

Essa estratégia ganhou forma nessa semana, com a presença de Lula no Panamá e uma ofensiva diplomática paralela do chanceler Mauro Vieira na Bolívia, Peru e Equador. O movimento sinaliza a intenção de Brasília de ocupar espaço político e econômico antes que ele seja preenchido por outras potências ou por narrativas adversas ao Brasil.

No Panamá, onde Lula participa do fórum econômico, a diplomacia brasileira trabalha para ampliar o diálogo com governos alinhados à direita na região. Já na terça, Lula se reuniu com o presidente eleito do Chile, José Antonio Kast, de ultradireita, que solicitou o encontro. Segundo uma fonte brasileira, Brasil e Chile “têm muitos temas de interesse mútuo”, entre eles o crescimento do turismo de chilenos no Brasil e de brasileiros no Chile.

Nessa quarta-feira, o brasileiro participou de uma reunião bilateral com o novo presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, onde foi discutido, entre outros temas, a possibilidade de retomada de investimentos da Petrobras no país vizinho. A estatal responde hoje por cerca de 20% da produção de gás boliviana, mas chegou a fornecer mais de 60% em outros períodos, segundo diplomatas.

Com o Equador de Noboa, o tema central da cooperação é o combate ao crime organizado, pauta já discutida pelos dois presidentes durante a visita do equatoriano ao Brasil, em 2025. Com o Paraguai, as relações seguem estremecidas, mas o Brasil insistirá, segundo integrantes do governo, na busca de consensos. O único presidente com quem o governo Lula considera muito difícil construir uma agenda positiva é o argentino Javier Milei. Nesse caso, a meta é evitar crises.

Périplo

Em seu périplo iniciado na segunda-feira (26), ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, reuniu-se com seu homólogo da Bolívia, Fernando Aramayo, para revisar a agenda bilateral, com ênfase em temas econômicos e estratégicos, como energia, segurança e infraestrutura. Nesta quinta-feira (29), o chanceler se encontrará, em Lima, com o peruano Hugo de Zela para revisar a Aliança Estratégica mantida desde 2003. Já em Quito, na sexta-feira, Vieira dará continuidade aos entendimentos firmados durante a visita do equatoriano Noboa ao Brasil,

Regionalismo

“É importante ter relações e agendas positivas com todos os vizinhos. Precisamos reforçar a estabilidade regional, e um dos fatores que podem garantir isso é a interdependência econômica, que diminuiu nos últimos anos”, afirma Pedro Silva Barros, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Barros alerta para a queda do comércio intrarregional e avalia que o diálogo presidencial é um passo necessário para sua recuperação, mas insuficiente sem a retomada de projetos e ações concretas.

A avaliação no Itamaraty é que, diante desse conjunto de governos, o Brasil não deve insistir em agendas políticas sensíveis — como democracia e Venezuela — mas apresentar incentivos tangíveis. Comércio, investimentos, integração produtiva, energia, infraestrutura e combate ao crime organizado transnacional compõem o “cardápio” capaz de atrair interlocutores pouco receptivos a afinidades ideológicas.

Segundo auxiliares de Lula, esse esforço não responde apenas a imperativos de política externa, mas também a um cálculo doméstico. Ao manter interlocução com governos conservadores latino-americanos, Lula reduz espaço para que a direita brasileira instrumentalize a política regional como vetor de desgaste interno — como ocorreu em outros momentos com o tema da Venezuela. Controlar a narrativa externa, avaliam diplomatas, ajuda a mitigar riscos políticos internos. (Com informações do jornal O Globo)

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