Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 28 de janeiro de 2026
O Brasil registrou 23.919 casos de crianças e adolescentes desaparecidos ao longo de 2025, segundo dados do painel do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), que reúne informações enviadas pelas secretarias estaduais de segurança pública. O volume representa uma média de 66 desaparecimentos de menores de 18 anos por dia, índice cerca de 8% superior ao registrado em 2024.
O levantamento aponta que a maioria dos casos envolve meninas. Do total de ocorrências, 61% correspondem a crianças e adolescentes do sexo feminino, o equivalente a 14.658 registros. Já os meninos somam 9.159 casos, ou 38% do total. Em outros 102 registros, não houve identificação do sexo.
Em números absolutos, São Paulo lidera o ranking nacional de desaparecimentos de crianças e adolescentes, com 5.015 casos registrados em 2025. Na sequência aparecem o Rio Grande do Sul, com 3.102 ocorrências, e Minas Gerais, com 2.487. Também figuram entre os estados com maior número de registros o Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
Quando a análise considera o tamanho da população, porém, o cenário se altera. Roraima passa a ocupar a primeira posição, com uma taxa de 40 crianças e adolescentes desaparecidos a cada 100 mil habitantes. O Rio Grande do Sul aparece em seguida, com taxa de 28 por 100 mil, enquanto o Amapá ocupa a terceira colocação, com índice de 24.
O painel do Sinesp também revela que, ao considerar todas as faixas etárias, 2025 registrou o maior número de desaparecimentos da série histórica iniciada em 2015. Ao todo, foram contabilizadas 84.760 pessoas desaparecidas no país no ano passado, o que equivale a uma média de 232 casos por dia. O número supera os recordes anteriores, como 2024, com 81.406 registros, e 2019, com 81.306.
Entre os estados, São Paulo lidera em números absolutos de desaparecimentos em todas as idades, com 20.546 casos, seguido por Minas Gerais (9.139) e Rio Grande do Sul (7.611). No entanto, quando observada a taxa proporcional à população, o Distrito Federal apresenta o maior índice do país, com 74,58 desaparecidos por 100 mil habitantes. Roraima aparece logo depois, com taxa de 78,1, seguido por Rio Grande do Sul (67,75), Espírito Santo (58,66) e Rondônia (58,11).
Estados como Pará, Mato Grosso do Sul e Maranhão registraram as menores taxas proporcionais, abaixo de 20 desaparecimentos por 100 mil habitantes, embora ainda somem centenas de ocorrências ao longo do ano.
Os dados reforçam a dimensão do problema dos desaparecimentos no Brasil e evidenciam disparidades regionais tanto em números absolutos quanto em taxas proporcionais. Especialistas apontam que fatores como mobilidade urbana, conflitos familiares, vulnerabilidade social e falhas nos sistemas de registro e investigação influenciam diretamente os índices, especialmente entre crianças e adolescentes.