Sexta-feira, 06 de Fevereiro de 2026

Home Economia BRB vende R$ 5 bilhões em ativos para estancar crise de liquidez após escândalo do Banco Master

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O Banco de Brasília (BRB) vendeu R$ 5 bilhões de ativos de alta qualidade para estancar a fuga de capitais após a liquidação do Master e a Operação Compliance Zero, que afastou o ex-presidente da instituição Paulo Henrique Costa por suspeitas de irregularidades. A venda ocorreu para fazer frente aos saques e reforçar a liquidez do banco estatal.

De um lado, pessoas próximas à instituição reconhecem que houve essa crise de confiança, mas, por outro, acreditam que o banco é sólido e tem uma carteira de ativos valorizados no mercado e que pode ser vendida com facilidade para conter a sangria no caixa da instituição.

O BRB também negocia a venda de quase R$ 1 bilhão em carteiras de crédito concedido a Estados e municípios, conforme revelou o Estadão, com garantias do Tesouro, para Itaú e Bradesco. Isso poderia fazer o banco levantar mais R$ 730 milhões — valor presente das carteiras. O banco recebeu sinal positivo do Tesouro para a operação e espera só a troca das titularidades.

Em paralelo, o BRB vem tentando vender os ativos comprados do Master, em meio à desconfiança de que esses investimentos possam valer menos do que foi pago pelo banco. O novo presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, esteve em São Paulo na última quarta-feira, 4, conversando com bancos públicos e privados sobre essa venda.

Essas operações têm como objetivo injetar liquidez no BRB e diminuir o tamanho do banco, para reduzir a necessidade de aportes de capital do ente controlador, o governo do Distrito Federal. Como o Estadão mostrou, o Executivo distrital enfrenta problemas de caixa.

Nesta sexta-feira, 6, o banco estatal vai apresentar ao Banco Central um cardápio de opções para esses aportes. Entre as propostas em estudo que serão apresentadas ao BC estão a criação de um fundo imobiliário com terrenos e imóveis do governo do Distrito Federal (GDF) que seria transferido para o banco; aportes diretos do Tesouro do GDF; e empréstimo do governo do DF junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Essas ações precisam ser aprovadas pela Câmara Legislativa do DF.

O objetivo desse aporte é aumentar o patrimônio líquido do banco público (dinheiro dos donos dentro da instituição). O BRB precisa apresentar o balanço de 2025 até o dia 31 de março e quer soltar nessa data os números com a solução para os problemas criados com a operação com o Master.

Consignado e saque-FGTS

Os R$ 5 bilhões foram levantados com a venda de carteiras de crédito consignado e de antecipação de saque-FGTS que faziam parte do balanço do BRB. Esses ativos são considerados de baixo risco pelo mercado financeiro, e por isso têm alta liquidez, ou seja, são vendidos rapidamente.

Quando um banco sofre uma crise de confiança, com resgate de recursos por parte de correntistas e investidores, ele é obrigado a vender ativos para honrar esses compromissos e atender às regras de prudência bancária exigidas pelo Banco Central.

Segundo relato de pessoas próximas à cúpula do banco, o presidente Nelson Antônio de Souza entende que o pior momento da crise de confiança foi superada, com a normalização e até a volta de antigos clientes para o banco. Ainda assim, o BRB aguarda a conclusão de uma auditoria externa para chegar ao valor exato da precificação dos ativos comprados junto ao Master.

O BRB comprou R$ 12,2 bilhões de créditos inexistentes do Master, mas, após conversas com o Banco Central, trocou esses créditos por uma lista de outros ativos, que chegaram a cerca de R$ 10 bilhões. Além disso, o Master disponibilizou outros R$ 10 bilhões em garantias extras ao BRB. Como o banco quebrou por suspeitas de fraudes, a auditoria ainda precisa levantar a qualidade desses papéis.

Em depoimento à Polícia Federal, o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, afirmou que o BRB pode ter um buraco de R$ 5 bilhões no seu balanço em função das operações com o Master.

 

(Com O Estado de S.Paulo)

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