Domingo, 11 de Janeiro de 2026

Home em foco Caças, ciberataque e fator surpresa: como os Estados Unidos romperam a defesa aérea venezuelana

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O sistema de defesa aérea da Venezuela , formado por equipamentos russos, não conseguiu derrubar nenhuma aeronave dos Estados Unidos durante a operação militar que resultou na captura de Nicolás Maduro, em Caracas. Apenas alguns meses antes, o líder venezuelano havia se gabado desses armamentos em confrontos verbais com o presidente Donald Trump.

O general Dan Caine, comandante do Estado-Maior dos EUA, informou que mais de 150 aviões de combate e de reconhecimento — entre eles caças F-35, bombardeiros estratégicos B-1 e helicópteros de ataque — participaram da operação na madrugada de 3 de janeiro. A rápida neutralização da defesa aérea da capital venezuelana, Caracas, evitou perdas para as forças americanas.

“Pelo visto, os sistemas russos de defesa antiaérea não funcionaram tão bem assim”, ironizou o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, em discurso dirigido a militares americanos.

Do ponto de vista técnico, os sistemas russos poderiam ter tido um desempenho bem melhor, avalia o historiador militar austríaco Markus Reisner. Mas os EUA apostaram numa combinação de fatores: supressão da defesa antiaérea inimiga, ataques cibernéticos ao sistema de comando e controle da defesa aérea. Além disso, houve operações internas bem preparadas — os chamados inside jobs —, conduzidas pelas agências de inteligência americanas, a CIA e a DIA.

Segundo o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri), entre 2008 e 2014, a Rússia forneceu à Venezuela três sistemas Buk-M2, três sistemas S-300VM “Antey-2500” e onze sistemas modernizados S‑125 “Pechora‑2M”. Em reconhecimento, o então ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, foi condecorado em 2015, em Caracas, com a Ordem do Mérito da Segurança Nacional.

Os dados do Sipri, contudo, são incompletos devido à falta de transparência nos relatos sobre exportações de armas. Especialistas estimam que a Venezuela possuía, na prática, ainda mais sistemas russos de defesa aérea, com diferentes alcances. Nos últimos 20 anos, o país adquiriu pelo menos 17 grandes sistemas de mísseis antiaéreos e um grande número de sistemas portáteis russos, montando assim uma das defesas aéreas mais densas da América Latina, com múltiplas camadas.

Em outubro de 2024, a Rússia teria enviado novos sistemas Pantsir e Buk‑M2, além de mísseis portáteis Igla‑S — armamentos que Maduro não cansava de exaltar. “As forças armadas de qualquer país conhecem o poder de penetração do míssil Igla‑S, e a Venezuela dispõe de pelo menos 5.000 desses mísseis”, declarou em outubro de 2025.

“A defesa aérea venezuelana é baseada em sistemas russos combinados com radares chineses de detecção de ataques. Era a mais forte da América Latina, o que não surpreende, já que a maioria dos países do continente não teme ataques aéreos”, afirmou o especialista militar russo Iúri Fiódorov à DW.

O que aconteceu

A operação americana começou com um ataque cibernético que derrubou boa parte do fornecimento de energia de Caracas, permitindo que 150 aviões, drones e helicópteros dos EUA se aproximassem da capital sem serem detectados. Para abrir um corredor seguro, seis instalações de defesa aérea que deveriam proteger Caracas foram atacadas, segundo o Washington Post. Entre os locais atingidos estavam o porto de La Guaira, a base aérea de La Carlota e o complexo militar de Fuerte Tiuna. Imagens divulgadas indicam que ao menos dois lançadores de mísseis Buk foram destruídos.

Além disso, especialistas militares ocidentais apontam que uma parte significativa da defesa aérea estava inoperante devido a anos de manutenção precária e falta de peças de reposição — agravados pelo fato de que a Rússia não teria cumprido suas promessas de reparos e modernização. Dessa forma, apenas uma fração dos sistemas existentes estava realmente funcional no momento do ataque americano.

Em reportagem publicada em outubro, o Washington Post informou que, diante da presença militar dos EUA no Caribe, Nicolás Maduro pediu à Rússia e à China um reforço das Forças Armadas venezuelanas com mísseis, drones, radares e aeronaves. Contudo, segundo o jornal, o interesse de Moscou no país vinha diminuindo nos últimos anos. Mesmo diante da crise atual, não havia sinais de um apoio efetivo.

A operação dos EUA, que durou pouco mais de duas horas, resultou, além da captura de Maduro , na morte de dezenas de pessoas, incluindo civis, segundo informações do governo venezuelano e de levantamentos feitos por jornalistas. As tropas americanas não contaram com nenhuma baixa –apenas um helicóptero sofreu danos, mas conseguiu retornar à base.

Ao final, segundo Iúri Fiódorov, o principal motivo da falha da defesa aérea venezuelana foi o fator humano. “A questão não é tanto a capacidade técnica de um lado ou de outro, mas sim o fato de que as Forças Armadas venezuelanas simplesmente foram pegas de surpresa e não esperavam o ataque”, afirma.

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