Sexta-feira, 27 de Março de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 27 de março de 2026
A alta de Jair Bolsonaro, após duas semanas internado, levou a uma reconfiguração da casa onde passou a cumprir prisão domiciliar a partir desta sexta-feira (27), com adaptações no quarto e no banheiro e uma nova rotina de cuidados concentrada na ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, na filha Laura e na enteada Letícia.
O quarto foi reorganizado para receber uma cama reclinável, que permitirá manter o ex-presidente com a cabeceira elevada — medida considerada essencial para evitar novos episódios de broncoaspiração, o que causou a pneumonia bilateral.
Um umidificador de ar foi instalado e deve funcionar de forma contínua. A limpeza, segundo relatos, será diária — em alguns momentos, mais de uma vez ao dia — para reduzir o risco de infecção.
No banheiro, foram instaladas barras de apoio próximas ao box e ao vaso, para reduzir o risco de queda. A rotina deve incluir a presença diária de fisioterapeutas, que se revezarão no acompanhamento, com foco na recuperação respiratória. A alimentação foi ajustada e passará a seguir orientação mais rígida, com retirada de alimentos ácidos e cardápio mais leve. Quem cozinhará seguirá sendo Michelle.
A condução dessa rotina ficará nas mãos da ex-primeira-dama, que passou os últimos dias organizando os ajustes e deve centralizar tanto os cuidados quanto o acesso ao ex-presidente dentro de casa. No dia a dia, contará com Laura e Letícia, que vêm sendo treinadas para assumir parte da rotina — desde o controle de horários de medicação até a logística das visitas autorizadas.
Com as visitas externas suspensas, Laura e Letícia devem ter presença constante ao lado do ex-presidente, o que já gera incômodo. O relato é de “ciúme” com o novo arranjo, sobretudo porque os demais filhos devem ter acesso limitado, restrito a dias específicos de visita, como quartas-feiras e sábados. s. A exceção é o senador Flávio Bolsonaro, que, por ser advogado inscrito no processo, está autorizado a visitá-lo diariamente, por até meia hora.
A avaliação, no entorno, é que a restrição imposta pela decisão do ministro Alexandre de Moraes redesenha o acesso ao ex-presidente. Sem telefone, sem redes sociais e com visitas controladas, o fluxo de informação passa, necessariamente, por quem está dentro de casa, o que tende a ampliar o peso de Michelle e do núcleo familiar mais próximo na interlocução.
A decisão prevê a suspensão de visitas por 90 dias, com exceção de familiares, advogados e profissionais de saúde, além de controle rígido de acesso. A Polícia Militar do Distrito Federal fará o monitoramento da residência e enviará relatórios periódicos ao Supremo.
Bolsonaro deixou o hospital DF Star na manhã desta sexta-feira, acompanhado de Michelle. Segundo o médico Brasil Ramos Caiado, a evolução foi “tranquila, sem intercorrências”, com continuidade do tratamento em casa. A previsão é que ele retorne ao hospital no fim de abril para uma cirurgia no ombro direito. (Com informações de O Globo)