Domingo, 13 de Setembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 12 de setembro de 2026
A derrubada do sigilo de parte da investigação sobre o Banco Master, que revela repasses de recursos para o filme Dark Horse, gerou um bate-cabeça na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) nesta sexta-feira, 11. De um lado, a coordenação da campanha minimiza o impacto da confirmação de que Flávio é investigado por supostos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. De outro, uma ala do QG do candidato tenta negar o fato de que ele responde a um inquérito da Polícia Federal (PF).
A estratégia retórica de buscar confundir a opinião pública sobre a situação jurídica do candidato já havia sido adotada pelo próprio Flávio Bolsonaro em 23 de julho, um dia após o ministro André Mendonça autorizar a abertura da investigação.
Na ocasião, o senador disse em uma live nas redes sociais: “Gente, eu não tenho uma investigação contra mim. Eu não sou investigado em absolutamente nada, nada. Não tem uma investigação formal contra mim. Não tem nada, absolutamente nada contra mim”.
Na sexta-feira (11), uma ala da campanha de Flávio tentou novamente negar a investigação. O candidato ainda não se manifestou sobre o tema depois que a decisão de Mendonça foi divulgada.
O problema é que Flávio já foi pego na mentira anteriormente ao negar o pedido de dinheiro a Vorcaro. No início do escândalo do Dark Horse, o presidenciável debochou dos jornalistas ao ser indagado sobre os contatos com o ex-banqueiro, mas acabou desmentido horas depois com a divulgação de um áudio em que cobrava repasses do empresário.
Nos bastidores do QG bolsonarista, aquele episódio foi considerado o maior estrago do caso até aqui — gerando mais prejuízo reputacional do que a própria apuração jurídica. A negativa gerou desconfiança sobre a veracidade das declarações do candidato.
Reação
Coordenador da campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN) sustenta que o assunto Dark Horse já foi amplamente exposto nos últimos meses, provocando o desgaste que tinha para provocar. A decisão que torna Flávio investigado, contudo, só foi divulgada na sexta-feira (11).
“Há 4 meses vocês da imprensa falam a respeito. E muitos já fizeram pré-julgamento”, disse Marinho ao Estadão. O coordenador voltou a insistir que o candidato “não geriu, não recebeu, não operou nem administrou os recursos do filme”.
Mensagens
Em 13 de maio, horas antes de virem a público mensagens de Flávio pedindo R$ 134 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro, o presidenciável alegou que o dado era falso.
“É mentira, de onde você tirou isso?”, afirmou ao ser questionado por um repórter do Intercept.
Flávio deu uma gargalhada e se afastou do local onde dava uma entrevista coletiva no STF. Depois, o jornalista diz que o Intercept divulgaria mensagens de Flávio pedindo dinheiro a Vorcaro. Ele chama o repórter de militante e diz: “É mentira, pelo amor de Deus, de onde você tirou isso? É dinheiro privado, dinheiro privado, dinheiro privado”.
No áudio, o senador pede dinheiro a Vorcaro para pagar despesas do filme Dark Horse. “Fico sem graça de ficar te cobrando, mas é que está em um momento muito decisivo do filme e como tem muita parcela para trás, está todo mundo tenso, preocupado”, diz Flávio.
Flávio ainda escreve ao banqueiro: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs”.
“Fui, sim, para o encontro dele (Vorcaro)”
Uma semana após esse episódio, Flávio voltou a se contradizer quando veio a público que ele visitou Vorcaro em casa, quando o banqueiro usava tornozeleira eletrônica.
“Eu fui, sim, para o encontro dele (Vorcaro), para botar um ponto final nessa história, é dizer que, se ele tivesse me avisado que a situação era grave como essa, eu já teria ido atrás de outro investidor há muito mais tempo, e o filme não correria risco” , disse Flávio, após negar que teria relação com o dono do Master. (As informações são de O Estado de S. Paulo)