Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 20 de fevereiro de 2026
Integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliam transformar a aproximação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no principal eixo da agenda internacional com vistas às eleições de 2026. A estratégia, segundo aliados, poderia neutralizar o discurso da direita bolsonarista e reduzir o espaço para questionamentos sobre temas considerados sensíveis.
A aposta combina uma leitura pragmática do cenário com certo otimismo dentro do governo. Auxiliares sustentam que temas que poderiam ganhar destaque na campanha — como a relação com a Venezuela — perderam força após a prisão de Nicolás Maduro no início deste ano, diminuindo o potencial de desgaste eleitoral.
Outro fator apontado como positivo é a negociação, considerada bem-sucedida até o momento, para a retirada de tarifas impostas a produtos brasileiros pelo governo norte-americano.
A relação cordial construída entre Lula e Trump após um breve encontro em Nova York, durante a Assembleia Geral da ONU, também é vista como elemento importante para rebater o discurso da direita bolsonarista, historicamente alinhada ao trumpismo.
Na avaliação do cientista político Guilherme Casarões, professor da Florida International University, o desempenho de Lula nas negociações com Trump contribui para enfraquecer críticas da oposição na área internacional e reforça a imagem de “estadista” do presidente. Apesar disso, Casarões pondera que os ganhos eleitorais dependem, sobretudo, da agenda doméstica. “Ainda que eu não ache que vá haver um efeito direto nas eleições, tudo acaba ajudando a compor a imagem do Lula, a reputação do Lula e essa habilidade que ele teve, inclusive, em lidar com o Trump ao longo desses últimos meses”, afirmou.
O cientista político Leandro Gabiati, diretor da Dominium Consultoria, avalia que Lula deverá equilibrar as agendas interna e externa com a aproximação do calendário eleitoral. Segundo ele, as viagens e interlocuções com líderes internacionais geram ganhos econômicos e políticos que podem influenciar a popularidade do presidente. “Qualquer presidente, em ano eleitoral, priorizaria a agenda interna. Lula certamente não deixará de fazer isso, mas também não deve abandonar a agenda internacional, que faz parte de sua identidade política”, afirmou.
Lula deve viajar a Washington em março, embora a data ainda não esteja definida. A confirmação depende de acertos entre a Casa Branca e o Palácio do Planalto.
Auxiliares já projetam que a agenda internacional será reduzida com a proximidade da campanha à reeleição. A viagem à Ásia nesta semana, uma passagem pela Alemanha e a visita aos Estados Unidos devem figurar entre os últimos compromissos externos antes do início formal do período eleitoral.
Aliados também apostam que o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia pode reforçar o discurso internacional do governo. O tratado já foi assinado e aguarda ratificação pelos países dos dois blocos, podendo entrar em vigor provisoriamente após a aprovação por um deles.
No início do terceiro mandato, Lula foi alvo de críticas da oposição por suas viagens internacionais. O discurso de que o presidente passava mais tempo fora do país perdeu força ao longo do tempo, especialmente após a ida do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), aos Estados Unidos, onde atuou em defesa das tarifas anunciadas por Trump contra empresas brasileiras.
(Com informações do jornal O Estado de S. Paulo)