Sexta-feira, 14 de Agosto de 2026

Home Tecnologia Candy Crush, o jogo para celular que sobreviveu à inteligência artificial e desafia o tempo

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Johanna Chouraqui não viaja mais no tempo. Hoje com 34 anos, ela jogava Candy Crush Saga havia anos quando viveu uma situação que parece saída dos piores pesadelos de um estudante de pós-graduação:

“Era semana de provas finais e, quando acordei de manhã, levei um susto. Perdi uma sessão de estudos para minha prova final porque o alarme do meu celular nunca tocou.”

O episódio foi resultado do que muitos jogadores chamam de “viagem no tempo”: alterar a data do dispositivo para obter mais vidas ou bônus bloqueados por tempo. Na época, Candy Crush dava cinco novas vidas por dia, então jogadores como Chouraqui adiantavam o relógio e continuavam destruindo doces.

Isso também podia interferir nos alarmes e calendários. Certamente isso atrapalhou Chouraqui.

“Pensei: ‘Esta é a definição exata de um vício’”, conta ela. “Eu pensei: ‘Preciso parar de uma vez, odeio este jogo’, e o apaguei do meu celular.”

Cerca de três anos depois, Chouraqui baixou o aplicativo novamente e, desde então, continua sendo o que chama de “prazer culpado” — sem perder outras reuniões importantes.

A longevidade de Candy Crush fez com que o próprio jogo se tornasse uma espécie de viajante do tempo. Muitos jogos, especialmente os de celular, têm picos de interesse e depois caem no esquecimento com a mesma rapidez.

Quando foi a última vez que você ouviu falar de “Kim Kardashian: Hollywood”, jogo para celular lançado em 2014 que, segundo estimativas, arrecadou mais de US$ 50 milhões nos primeiros quatro meses? Candy Crush, por outro lado, permaneceu surpreendentemente popular nos últimos 15 anos.

No transporte público, em eventos esportivos e até mesmo ao lado de um casal em um primeiro encontro, ainda é comum encontrar alguém jogando. Candy Crush passou a significar “aquilo que as pessoas fazem no celular”, como mostra um meme cultural sobre policiais distraídos em serviço enquanto esmagam doces (Candy Crush, em tradução literal, significa amassar guloseimas).

David Curry, editor de dados da plataforma Business of Apps, estima que o jogo teve 81,5 milhões de usuários ativos mensais, 190,5 milhões de instalações e US$ 876,5 milhões em receita de compras dentro do aplicativo no ano fiscal de 2025.

A desenvolvedora sueca King, porém, se recusou a fornecer números atuais. Em 2023, o jogo ultrapassou um marco extraordinário: a King informou que suas franquias Candy Crush — incluindo derivados como Soda Saga e Jelly Saga — haviam alcançado US$ 20 bilhões em receita acumulada e 5 bilhões de instalações. O jogo aparece entre os títulos para celular de maior faturamento ano após ano.

Jogo videogames desde criança e, recentemente, voltei a estudar para me especializar em design de jogos, criando pequenos jogos narrativos e pesquisando o que faz diferentes tipos de jogos funcionarem. Quando Candy Crush surgiu, fiquei fascinada, impressionada e talvez até um pouco incomodada. O aplicativo parecia reunir apenas os elementos mais básicos daquilo que faz um jogo ser, de fato, um jogo. Acontece que isso pode ter sido justamente o segredo de seu sucesso.

A King lançou a versão inicial de Candy Crush em seu site em 2011. Na década anterior, havia lançado centenas de jogos, usando dados dos jogadores para aperfeiçoar os títulos seguintes. Então, a web social ganhou força.

“Quando tentávamos entender como conquistar o Facebook, basicamente começamos seis projetos diferentes em paralelo”, disse o cofundador da King, Sebastian Knutsson, à CNBC em 2020.

A empresa “teve um grande fracasso”, abandonado pouco depois do lançamento, além de “alguns jogos medianos dos quais estávamos bastante satisfeitos”.

As lições sobre mecânicas de jogo, retenção de jogadores e design de fases se tornariam o modelo para Candy Crush Saga, lançado também em plataformas móveis para aproveitar o mercado de smartphones, que crescia rapidamente.

Em dezembro de 2013, Candy Crush tinha 93 milhões de usuários ativos diários em todo o mundo, segundo o documento de abertura de capital da King, de 2014. Na época, a King também pediu o registro da palavra “candy” como marca nos Estados Unidos, mas retirou a solicitação posteriormente.

A popularidade contínua do jogo tem muito a ver com a simplicidade quase hipnótica de sua jogabilidade. Candy Crush funciona com base na mecânica de “combinar três”, gênero clássico que evoluiu a partir de jogos como Tetris.

O objetivo é combinar peças coloridas em formato de doces dentro de um número limitado de movimentos, fazendo com que explodam e desapareçam, limpando o tabuleiro e permitindo avançar para a fase seguinte.

O jogo é baseado em turnos, permitindo começar ou parar sem consequências — ao contrário de Call of Duty ou The Legend of Zelda, que exigem reações em tempo real. Isso faz dele uma opção para jogar no trem, descansando no sofá ou tentando evitar o trabalho. (Com informações da agência Bloomberg)

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