Sexta-feira, 29 de Maio de 2026

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Puxado pela onda de saudabilidade e pelo consumo associado ao uso das canetas emagrecedoras, o preço do concentrado de proteína do soro do leite, popularmente conhecido como whey protein, disparou. Dados da consultoria StoneX apontam que o preço do produto com 80% de teor proteico (WPC 80) subiu 90% no último ano, chegando a 20 mil euros (R$ 117,6 mil) por tonelada métrica.

A febre do whey protein expandiu o uso do produto para além dos shakes em pó ou barrinhas, e ele passou a ser ingrediente até de refrigerantes, como os da marca Moving. Já a Bellpar Refrescos, do interior paulista, está produzindo o refrigerante proteico Pure Up, com lançamento previsto no próximo dia 8; o produto deve ter 20g de proteína.

“Não chega a ser uma commodity, porque não existe uma cotação oficial no mercado internacional. Mas existem, sim, grandes fornecedores globais que acabam ditando o preço do soro do leite. Quanto maior o pedido, a indústria tem mais poder de barganha para baixar o preço, mas não há grandes variações”, diz Alberto Moretto, sócio-fundador do Grupo Supley, dono das marcas Max Titanium, Probiótica e Dr. Peanut.

Segundo Moretto, a produção nacional é insuficiente e a maior parte da matéria-prima é importada. O quilo da proteína concentrada (WPC 80) no Brasil custa em torno de US$ 25 (R$ 126,43). Já da proteína isolada (WPI, que passa por filtragens adicionais) está cerca de US$ 35 (R$ 177). O processo de fabricação é custoso, diz o executivo, o que responde em parte pelos altos custos: são necessários de 100 a 200 litros de soro de leite (especificamente do queijo mozarela) para produzir um quilo de whey protein.

“Nós dependemos do consumo do queijo para ter o whey —mas o consumo de mozarela não cresce, então a oferta de soro do leite não aumenta também”, diz Charles Formigari, CEO da Nutrata Suplementos, famosa pelas barrinhas de proteína em colaboração com grandes indústrias de doces, como Nestlé, Havanna e Bacio di Latte. “Não tem como produzir apenas soro do leite.”

Aliado a isso, afirma, vem o aumento da demanda. “Agora o soro do leite já é aplicado em tudo quanto é tipo de produto, até biscoito, pão, macarrão e massa para pizza”, afirma Formigari.

Parte desse comportamento está relacionado à busca do consumidor por produtos mais saudáveis. A preocupação com a imunidade chamou a atenção do público sobre o papel da alimentação no bem-estar, especialmente no período pós-pandemia. Nos últimos três anos, vem crescendo no Brasil o consumo de frango, queijo e ovo, por exemplo, em detrimento a massa instantânea, hambúrguer e biscoito, segundo pesquisa da Scanntech publicada pela Folha em abril.

O levantamento apontou ainda que o consumo de suplementos para academia (whey protein e creatina) disparou 440% no varejo alimentar no período. Hoje, uma embalagem de 900 g de whey protein concentrado custa entre R$ 120 e R$ 150.

Em 2025, os alimentos perecíveis foram a única cesta de produtos que cresceu em vendas, puxada por proteínas, frutas, legumes e verduras, de acordo com a Scanntech. O advento das canetas emagrecedoras contribuiu para este cenário: os usuários de GLP-1 (princípio ativo dos medicamentos) dão preferência ao consumo de fibras e proteínas aumenta, uma vez que estes alimentos contribuem para o aumento da saciedade, controle da glicemia e manutenção da massa muscular. Com informações da Folha de S. Paulo.

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