Segunda-feira, 09 de Março de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 8 de março de 2026
Com uma longa ficha policial, Luiz Phillipi Machado Moraes Mourão, que ficou conhecido como “Sicário” – matador de aluguel –, se aproximou do ex-presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro, por meio do empresário Fabiano Zettel. Além de amigo de longa data do cunhado de Vorcaro, ele também era frequentador assíduo dos cultos ministrados por Zettel na Igreja Batista da Lagoinha. A relação de Mourão com a família Vorcaro se consolidou após o amigo se casar em 2017 com Natália Vorcaro, irmã de Daniel.
Aos 43 anos, ele morreu após atentar contra a própria vida em uma cela da Polícia Federal, que o prendeu na quarta-feira (4), em Belo Horizonte, na terceira fase da Operação Compliance Zero. A morte de Luiz Phillipi foi atestada oficialmente na sexta (6), após a conclusão do protocolo de morte cerebral.
Mourão ganhou a confiança de Vorcaro resolvendo pequenos problemas particulares do banqueiro. Na sequência, ele montou uma rede de inteligência para ele, incluindo um bunker com hackers em um bairro de Belo Horizonte – de acordo com a PF, eles conseguiram acesso aos sistemas da Polícia Federal, do Ministério Público e até do FBI (a polícia federal americana) e da Interpol (polícia internacional) – e pagamentos a garçons em troca de informações sobre frequentadores de restaurantes famosos da capital mineira. O objetivo era conhecer a rotina e conversas de autoridades ou figuras de interesse da quadrilha.
Trajetória
O Estadão reconstituiu parte da trajetória de Mourão a partir de conversas com pessoas que conviveram com ele e de um processo judicial no qual ele era réu por crime contra a economia popular – esquema de pirâmide –, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Um dos relatos ouvidos pela reportagem dá conta que “Mexerica”, alcunha pela qual ele era conhecido na capital mineira, falava abertamente que preferia a morte à prisão. Integrantes da PF de Minas chegaram a informar que Mourão teria morrido ainda na quarta, dia em que atentou contra a própria vida após ser preso, utilizando sua camisa de mangas compridas para se enforcar. Depois, uma nota nacional da corporação informou que não havia confirmação do óbito. Na última quinta (5), a defesa de Mourão disse que ele estava vivo e que o estado era grave, mas sem protocolo de morte cerebral. No dia seguinte, porém, em nova nota, a defesa confirmou o óbito após a conclusão do protocolo.
Segundo a Polícia Federal, o grupo “A Turma”, coordenado por Mourão, atuava como uma espécie de milícia privada a serviço de Daniel Vorcaro.
Nas mensagens obtidas no celular de Vorcaro, há ordens do banqueiro para “Sicário” providenciar a intimidação de funcionários e desafetos do grupo e também para “quebrar todos os dentes” do jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo.
De acordo com a investigação, caberia a Fabiano Zettel repassar R$ 1 milhão por mês para Mourão coordenar e pagar as atividades e os integrantes da Turma. Além das intimidações, o grupo era responsável pelo monitoramento dos adversários e obtenção de informações sigilosas.
Justiça
Mourão é descrito por quem o conhecia como fruto de uma família de dentistas de classe média de Belo Horizonte e que desde cedo esteve envolvido em problemas com a lei. Ele foi preso pela primeira vez aos 20 anos, em 2003, por receptação de veículos roubados, e solto no ano seguinte.
Um boletim de ocorrência da Polícia Civil de Minas Gerais aponta que, em 2008, a condição econômica dele já havia evoluído em razão dos crimes. O documento cita que Mourão era conhecido “no meio policial como autor de prática de clonagem e utilização de cartões de crédito, ostentando, dessa forma, patrimônio dignos de alta classe social”.
Os próprios registros policiais citam a alcunha de “Mexerica” para se referir a ele. Tratava-se de um apelido pejorativo em razão de uma malformação congênita na boca.
Ele voltaria a ser preso na noite do dia 10 fevereiro de 2020 no âmbito de um inquérito sobre um esquema de pirâmide financeira. A Polícia Civil pediu ajuda da Polícia Federal e Mourão foi detido assim que desembarcou no aeroporto de Confins, em Minas Gerais, em voo partindo de São Paulo.
De acordo com as anotações policiais, ele precisou ser atendido no posto médico após ser preso, por causa de uma queda na pressão arterial. Os policiais também apreenderam um carro de luxo de Mourão que estava estacionado no local sob a suspeita de que o veículo havia sido adquirido com recursos ilícitos.
Segundo denúncia do Ministério Público, ele exercia em conjunto com outro réu, Bruno Corrêa Lopes, “a função de chefia, coordenação e articulação, detendo o domínio final e funcional dos crimes praticados pela organização criminosa”. (Com informações de O Estado de S. Paulo)