Domingo, 15 de Março de 2026

Home em foco Caso do Banco Master arrasta Brasília para crise; bolsonaristas e petistas tentam se blindar

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Na medida em que as investigações sobre o caso Master avançam na Polícia Federal, o estrago se infiltra por Brasília, com a revelação dos contatos mantidos por Daniel Vorcaro e os negócios do banco. Enquanto isso, bolsonaristas e petistas vêm tentando se blindar do dano à reputação que o caso vem provocando.

A avalanche de informações permitiu às duas maiores legendas do País, o PT e o PL, e suas lideranças alimentarem as redes sociais com peças de comunicação voltadas a grudar a crise no adversário.

“Entenda o esquema BolsoMaster: O maior esquema de golpe no mercado financeiro que o Brasil conheceu”, diz uma publicação do PT, associando o sobrenome Bolsonaro às fraudes. “(O esquema) Foi gestado, criado, protegido dentro do governo Bolsonaro”, diz o deputado e ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social do governo Lula, Paulo Pimenta (PTRS), no recorte publicado pelo partido nas redes sociais.

“O banco recebeu autorização do governo Bolsonaro e do Banco Central, (presidido por Roberto) Campos Neto, para operar. Em 2022, época da eleição (…), eles derramaram parte do dinheiro que estavam roubando na conta das campanhas do Bolsonaro e do Tarcísio (de Freitas)”, acrescenta Pimenta.

O Planalto definiu uma estratégia no fim de janeiro para tentar manter distância regulamentar do escândalo e evitar que a crise contamine a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a novo mandato. A ordem do ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, era para que seus colegas não ficassem na defensiva e destacassem que a investigação das irregularidades foi aberta no governo Lula.

Doações

Ministros devem encaixar nas respostas às perguntas incômodas as doações de campanha feitas pelo empresário e pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Em 2022, Zettel doou R$ 3 milhões para Bolsonaro e R$ 2 milhões a Tarcísio.

A rede de contatos e de negócios feitos por Vorcaro tem permitido à esquerda apontar a direita como a principal implicada no escândalo. A PF encontrou mensagens no celular de Vorcaro nas quais ele se refere ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil de Bolsonaro, como um “grande amigo de vida”.

Além disso, 18 fundos de previdência criados para cuidar da aposentadoria de servidores públicos colocaram R$ 1,8 bilhão em papéis do banco. Três quartos (76,1%) desse valor, R$ 1,37 bilhão, dizem respeito a fundos ligados a dois personagens: um do Centrão, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP); e outro da direita, o governador do Rio, Cláudio Castro (PL).

Recentemente, uma estrela do bolsonarismo foi dragada para dentro do escândalo com uma revelação do jornal O Globo. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) usou um jatinho de Vorcaro na campanha de Bolsonaro em 2022. Ele nega que soubesse quem era o proprietário da aeronave, mas o episódio tem sido explorado à exaustão pelos adversários.

Contra-ataque

O PL, por sua vez, lançou uma peça feita com inteligência artificial intitulada “A Grande Quadrilha”, em referência à série da TV Globo A Grande Família, juntando Lula, seu filho Lulinha, a primeira-dama Janja e o ministro Fernando Haddad (Fazenda) a personagens de escândalos diferentes, como Vorcaro e Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”.

O vídeo teve 5,8 milhões de visualizações até o dia 11, das quais 3,6 milhões (62%) vieram de “fora da bolha”, o que trouxe 12,5 mil seguidores novos ao perfil, segundo o PL. A publicação foi compartilhada 354 mil vezes. O alcance é cerca de 7,5 vezes maior do que as 779 mil visualizações obtidas pelo post petista do “BolsoMaster”.

O PT protocolou representação contra o PL na Justiça Eleitoral dizendo que o vídeo é “de caráter eleitoreiro criado para tentar vincular o PT a denúncias de corrupção” e se trata de propaganda eleitoral antecipada. (Guilherme Caetano/AE)

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