Domingo, 25 de Janeiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 25 de janeiro de 2026
A Polícia Federal vai ouvir, a partir desta segunda-feira (26), oito investigados no inquérito que apura supostas irregularidades na proposta de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).
Os depoimentos serão colhidos na sede do Supremo Tribunal Federal (STF), em sessões presenciais e por videoconferência.
Na segunda-feira (26), quatro investigados prestarão depoimento: Dário Oswaldo Garcia Junior, diretor de Finanças e Controladoria do BRB; André Felipe de Oliveira Seixas Maia, diretor de uma empresa investigada; Henrique Souza e Silva Peretto, empresário; e Alberto Felix de Oliveira, superintendente-executivo de Tesouraria do Banco Master.
Já na terça-feira (27), serão ouvidos Robério Cesar Bonfim Mangueira, superintendente de Operações Financeiras do BRB; Luiz Antonio Bull, diretor de Riscos, Compliance, RH e Tecnologia do Banco Master; Angelo Antonio Ribeiro da Silva, sócio do Banco Master; e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio da instituição.
O cronograma dos depoimentos teve o aval do relator do caso, o ministro Dias Toffoli. No último dia 16, o inquérito foi prorrogado por mais 60 dias.
A investigação apura os detalhes da tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB. Essa frente de apuração chegou ao STF em dezembro do ano passado, quando Dias Toffoli determinou que o caso passasse a tramitar na Suprema Corte. Até então, o procedimento estava sob responsabilidade da Justiça Federal em Brasília.
Segundo a Polícia Federal, o Banco Master teria emitido Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com promessa de rendimentos de até 40% acima da taxa básica de mercado. Para os investigadores, o retorno oferecido seria irreal, e o esquema pode ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões.
A PF afirma haver indícios de envolvimento de dirigentes do BRB nas irregularidades investigadas. Em março, o banco chegou a firmar um acordo para adquirir o Banco Master, mas a operação foi posteriormente barrada pelo Banco Central.
O controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi preso em novembro do ano passado no âmbito da Operação Compliance Zero, mas acabou solto dias depois por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).
Na semana passada, a Polícia Federal deflagrou uma nova fase da Operação Compliance Zero, com o objetivo de aprofundar as apurações sobre supostas fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.
De acordo com a PF, o grupo investigado teria explorado de forma sistemática “vulnerabilidades do mercado de capitais” para a prática de fraudes, por meio do uso de fundos de investimento e de vínculos societários, familiares ou funcionais.
Os investigadores apontam indícios de que o grupo — formado por Daniel Vorcaro, parentes e pessoas ligadas ao banco — pode ter cometido crimes como organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, indução ou manutenção de investidores em erro, uso de informação privilegiada, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro.
A apuração identificou ainda operações com ativos sem liquidez e artificialmente precificados, além de transações entre partes relacionadas sob controle de pessoas com vínculos societários ou familiares com o Banco Master. Segundo a PF, o esquema também teria contado com o uso de laranjas e sócios ocultos.