Terça-feira, 23 de Junho de 2026

Home Sem categoria Caso Vorcaro amplia força de André Mendonça na Segunda Turma do Supremo e desafia Gilmar Mendes

Compartilhe esta notícia:

Os desdobramentos do caso Master formaram uma nova rede de apoio em torno do ministro André Mendonça na Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), colegiado em que o decano da Corte, Gilmar Mendes, mantém há anos o protagonismo. A mudança na dinâmica de forças ganhou mais um capítulo na semana passada, quando o voto de Mendonça para manter na cadeia o pai de Daniel Vorcaro foi seguido pelos ministros Luiz Fux e Nunes Marques, derrotando o posicionamento de Gilmar, que defendeu a prisão domiciliar com o uso de tornozeleira eletrônica.

O julgamento de Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, era visto no Supremo como um teste da atual correlação de forças. Ministros observavam que Nunes Marques detinha o voto potencialmente decisivo. Caso ele acompanhasse Gilmar, haveria empate, o que resultaria na domiciliar.

O magistrado, no entanto, acompanhou Mendonça, o relator, assim como na manutenção da prisão de Felipe Vorcaro, primo do banqueiro — o decano votou pela soltura nesse caso, com medidas como a proibição de falar com investigados.

Troca de farpas
A mudança ocorre em um espaço que historicamente funcionou como um dos centros de disputa entre alas do Supremo, o que se acentuou na Operação Lava-Jato. Foi no colegiado que Gilmar protagonizou alguns dos embates contra os métodos utilizados pela força-tarefa de Curitiba e pelo então juiz Sergio Moro.

Ao lado de integrantes como o ex-ministro Ricardo Lewandowski e, posteriormente, Dias Toffoli, formou maiorias que resultaram em decisões envolvendo delações premiadas, prisões preventivas e investigações da Lava-Jato. O grupo se consolidou como um contraponto à força-tarefa, e o relator, ministro Edson Fachin, hoje presidente da Corte, frequentemente ficava vencido.

As divergências extrapolavam o mérito dos processos. Em um dos episódios daquele período, durante a crise provocada pela delação da JBS, em 2017, Gilmar afirmou em sessão que o caso representava um “grande vexame” para o Supremo e dirigiu críticas ao então relator da Lava-Jato. Fachin respondeu: “Minha alma está em paz”.

A operação que acirrou os ânimos na Corte anos atrás também surgiu no julgamento que determinou a manutenção da prisão preventiva de Henrique Vorcaro. As menções vieram em forma de críticas de Gilmar sobre a realização de delações premiadas “sob pressão” e declarações sobre a conduta de juízes que se envolvem nas investigações, mensagens que foram vistas como recados a Mendonça.

As avaliações do decano já haviam sido externadas durante a análise da prisão do próprio Daniel Vorcaro, em março, quando criticou o “apelo a conceitos porosos e elásticos” usados pelo relator. Gilmar também citou a Lava-Jato para alertar sobre o risco de “atropelo a ritos processuais” no caso, mas acabou acompanhando Mendonça, que conseguiu unanimidade na validação da medida que havia determinado.

Apesar do apoio que vem se consolidando como majoritário na Segunda Turma, a condução de Mendonça no caso Master encontra resistências entre parte dos ministros do outro colegiado, que nos bastidores criticam a forma como ele vem atuando no caso. Mesmo dentro da Segunda Turma, interlocutores dos magistrados ressaltam que não há alinhamento automático em torno do relator e que divergências pontuais podem surgir ao longo da tramitação do caso. Procurados, os ministros e o STF não se manifestaram.

A composição atual da Segunda Turma é bastante diferente daquela que protagonizou os embates da época da Lava-Jato e que viu seu protagonismo diminuir com a ascensão do colegiado vizinho. Sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes, a Primeira Turma concentrou julgamentos relacionados aos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, às investigações envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados e aos principais inquéritos sobre ataques à democracia.

O novo quadro foi desenhado a partir da chegada de Nunes Marques, que ocupou a cadeira de Celso de Mello em 2020. Depois, vieram a transferência de Cármen Lúcia para a Primeira Turma, em 2021, a aposentadoria do ministro Ricardo Lewandowski, em 2023, a chegada de Dias Toffoli, também em 2023, e a ida de Fachin para a presidência, no ano passado.

Nos últimos meses, o caso Master contribuiu para recolocar o colegiado no centro da agenda — até o final de 2025, a falta de processos na pauta tornou as sessões rápidas e muitas vezes com frequência mensal, não a cada semana. Como relator das investigações após a saída de Toffoli, em fevereiro, Mendonça passou a conduzir decisões envolvendo prisões, buscas, quebras de sigilo e medidas cautelares relacionadas ao inquérito, levando também o caso para o colegiado.

Integrantes do Supremo observam que a composição atual reúne perfis diferentes daqueles que marcaram a Segunda Turma no auge da Lava-Jato. Mendonça e Fux são vistos por colegas como ministros com posições mais rigorosas em matéria penal e menos inclinados a rever medidas cautelares decretadas durante investigações.

No ápice da Lava-Jato, a Segunda Turma chegou a ser chamada de “Jardim do Éden”, por acumular decisões favoráveis a réus, em contraposição à “Câmara de Gás”, alcunha dada à Primeira Turma. Com informações do portal O Globo.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Sem categoria

Caxias do Sul celebra 136 anos
Deixe seu comentário
Baixe o app da RÁDIO Pampa App Store Google Play
Ocultar
Fechar
Clique no botão acima para ouvir ao vivo
Volume

No Ar: Programa Show de Notícias